*Da Redação Dia a Dia Notícia
O baixo desempenho de estudantes em português e matemática tem acendido um alerta sobre os impactos na formação educacional e no futuro profissional dos jovens, especialmente na Região Norte, onde apenas 2% dos alunos do ensino médio apresentam aprendizagem adequada nessas disciplinas, índice abaixo da média nacional. Dados recentes da ONG Todos Pela Educação apontam que muitos estudantes chegam à etapa final da educação básica sem domínio de habilidades essenciais, como leitura, interpretação de texto e cálculos básicos, o que amplia os desafios para o ingresso no ensino superior e no mercado de trabalho.
Dificuldades em interpretar textos e resolver cálculos básicos têm sido realidade para grande parte dos estudantes da rede pública no Norte do país. O levantamento revela que apenas 8% dos alunos que concluíram o ensino fundamental em 2023 na região, apresentaram desempenho adequado em português e matemática, um reflexo que se agrava no ensino médio, onde o índice cai para apenas 2%.
A estudante Isabelly Ingredy Lima, de 16 anos, que cursa o 2º ano do ensino médio em uma escola pública do Amazonas, relata obstáculos principalmente na matemática. Segundo ela, conteúdos como estatística e probabilidade estão entre os mais desafiadores, especialmente pela dificuldade em interpretar dados e aplicar diferentes métodos de cálculo.
Na avaliação de professores da rede pública, o problema está ligado a lacunas no aprendizado acumuladas desde os anos iniciais. A professora de matemática Silmara Branco afirma que muitos alunos chegam ao ensino médio sem domínio de operações básicas, como multiplicação e divisão, o que compromete o avanço em conteúdos mais complexos.
Os dados também mostram disparidades entre os estados da região. No Amapá, por exemplo, apenas 4% dos estudantes dos anos finais do ensino fundamental atingem o nível adequado nas disciplinas, enquanto no ensino médio o percentual é de 2%. No Pará, os índices são de 6% e 2%, respectivamente. Já em Roraima, 6% dos alunos apresentam desempenho adequado nos anos finais e 3% no ensino médio. Rondônia e Acre aparecem ligeiramente acima da média regional, mas ainda abaixo do cenário nacional.
Além das dificuldades em matemática, a leitura também é apontada como um dos principais entraves. A professora de Língua Portuguesa Denise Resky Sidon, da rede pública de Rondônia, observa que muitos estudantes consideram a leitura cansativa, o que afeta diretamente a compreensão de conteúdos em diversas disciplinas.
No Amazonas, o professor de Língua Portuguesa e mestre em Educação pela UEA, Luiz Guilherme Melo, destaca que há também uma perda de autonomia dos alunos, refletida em dificuldades de interpretação e na escrita, com erros recorrentes de ortografia e acentuação. Segundo ele, o uso frequente de dispositivos digitais e corretores automáticos tem contribuído para esse cenário.
Especialistas alertam que essas defasagens podem trazer consequências diretas no futuro dos estudantes. O coordenador de Políticas Educacionais do Todos Pela Educação, Pedro Rodrigues, afirma que o baixo domínio de competências básicas reduz as chances de inserção no mercado de trabalho e dificulta o acesso ao ensino superior.
Para ele, a recomposição da aprendizagem é urgente. “Há muitos estudantes concluindo o ensino médio sem dominar conteúdos essenciais, o que amplia desigualdades e limita oportunidades”, destaca.
O cenário reforça a necessidade de políticas públicas e estratégias educacionais que priorizem o fortalecimento das habilidades básicas, com foco na recuperação da aprendizagem e no protagonismo dos estudantes ao longo da formação escolar.
