*Da Redação Dia a Dia Notícia
Produtores rurais e moradores da região da Terra do Meio, no Sul do Pará, interceptaram caminhões utilizados pelo Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade e soltaram cerca de 90 cabeças de gado apreendidas durante uma operação de fiscalização ambiental. O caso ocorreu nessa terça-feira, 09, em meio à operação Pasto Nullus, que combate a criação irregular de gado em áreas protegidas da Amazônia.
Vídeos compartilhados nas redes sociais mostram pessoas cercando os veículos, abrindo as carrocerias e liberando os animais.
O ICMBio confirmou o episódio e informou que os caminhões utilizados na operação sofreram ataques durante a mobilização.
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Área protegida
A operação ocorre na Estação Ecológica da Terra do Meio, unidade de conservação criada em 2005 e considerada uma das áreas ambientais mais importantes da Amazônia.
Por se tratar de uma estação ecológica, a legislação não permite atividades econômicas privadas, como criação de gado ou ocupação permanente da área.
Segundo o ICMBio, os animais apreendidos estavam em áreas embargadas por desmatamento ilegal, principalmente na região conhecida como Transiriri.
Impasse fundiário
Produtores rurais afirmam que muitas famílias vivem na região há anos e dependem da pecuária para garantir o sustento.
Entre as principais reclamações está a demora na regularização fundiária das propriedades.
Lideranças locais argumentam que ocupantes antigos estariam sendo tratados da mesma forma que invasores recentes, sem distinção durante as ações de fiscalização.
Já o ICMBio sustenta que os moradores foram previamente informados sobre as restrições legais existentes na unidade de conservação e que a permanência dos rebanhos é incompatível com as regras ambientais da área.
Operação busca retirada de rebanhos
A Operação Pasto Nullus é um desdobramento das medidas adotadas pelo ICMBio desde 2025 para promover a retirada gradual de animais da Terra do Meio.
No ano passado, o órgão aprovou um plano emergencial que permitia a retirada voluntária dos rebanhos, com acompanhamento da Agência de Defesa Agropecuária do Estado do Pará e emissão da Guia de Trânsito Animal (GTA).
Segundo o instituto, parte dos ocupantes aderiu ao plano, mas diversas áreas continuaram mantendo atividades pecuárias dentro da unidade de conservação.
