*Da Redação Dia a Dia Notícia
Mirtes Renata Santana, mãe de Miguel Otávio, concluiu o curso de Direito e participou da cerimônia de formatura no último sábado, 29, na cidade de Recife, em Pernambuco. Durante a entrada no salão, ela carregou um porta-retrato com uma foto do filho, que morreu aos 5 anos, em 2020, após cair do nono andar de um prédio enquanto estava sob os cuidados da então patroa de Mirtes.
A homenagem foi acompanhada pela música “Maria, Maria”, de Milton Nascimento e Fernando Brant.
No telão, também foram exibidas imagens de Miguel. Mirtes estava acompanhada da mãe, Marta, da irmã, Fabiana Patrícia, e de duas amigas. A entrada emocionou os convidados, que aplaudiram a formanda.
A graduação foi concluída seis anos após a morte de Miguel. Ao falar sobre a conquista, Mirtes destacou que a caminhada foi marcada por dor e desafios e afirmou que, em diversos momentos, pensou que não conseguiria chegar à formatura.
Segundo ela, Miguel foi seu propósito para continuar e cada etapa da formação representa uma forma de honrar a memória do filho.
Em 2025, Mirtes recebeu nota 10 no Trabalho de Conclusão de Curso (TCC), que abordou a escravização contemporânea e as violações de direitos enfrentadas por trabalhadoras domésticas.
Relembre o caso
Miguel Otávio morreu em 02 de junho de 2020, aos 5 anos, após cair do nono andar de um edifício de luxo no Centro do Recife.
Na época, Mirtes trabalhava como empregada doméstica na residência de Sari Corte Real e havia descido para passear com o cachorro da família. Miguel ficou no apartamento sob os cuidados de Sari.
Enquanto procurava pela mãe, o menino entrou sozinho no elevador. Sari o colocou para fora no corredor do prédio e, segundo as investigações, permitiu que ele seguisse sozinho pelo local. Miguel chegou ao nono andar e caiu de uma altura de aproximadamente 35 metros. Ele não resistiu aos ferimentos.
Sari Corte Real foi condenada por abandono de incapaz com resultado morte. A pena, inicialmente fixada em oito anos e seis meses, foi posteriormente reduzida para sete anos de prisão.
Em maio de 2026, o Tribunal de Justiça de Pernambuco (TJ-PE) manteve a condenação após recurso da defesa. Ela permanece em liberdade enquanto o processo segue em fase de recursos.
