*De Dhemily Costa para o Dia a Dia Notícia
Neste 18 de maio, Dia Nacional de Combate ao Abuso e à Exploração Sexual de Crianças e Adolescentes, autoridades reforçam a importância das denúncias e das ações de prevenção. O Amazonas registrou 1.204 casos de estupro de vulnerável contra crianças e adolescentes em 2025, segundo dados da Secretaria de Segurança Pública do Amazonas (SSP-AM). O número faz parte de um cenário alarmante apontado por estudo do Fundo das Nações Unidas para a Infância (Unicef) e do Fórum Brasileiro de Segurança Pública (FBSP), que coloca seis estados da Amazônia Legal entre os dez com maiores índices de violência sexual infantojuvenil no país. A maioria das vítimas são meninas negras entre 5 e 9 anos, e os crimes ocorrem, principalmente, dentro do ambiente familiar.
De acordo com o levantamento, seis dos dez estados brasileiros com maiores índices de violência sexual contra crianças e adolescentes estão localizados na Amazônia Legal. O estudo aponta ainda que 76,7% das vítimas registradas entre 2021 e 2023 são crianças e adolescentes negros e que a maioria dos crimes acontece dentro do ambiente familiar.
No Amazonas, os dados da SSP-AM mostram que o crime de estupro de vulnerável lidera os registros de violência sexual contra menores de idade. O painel de indicadores criminais aponta mais de 1,2 mil casos registrados em 2025, além de ocorrências relacionadas à importunação sexual, exploração sexual infantil e favorecimento da prostituição de crianças e adolescentes.

Como parte das ações de enfrentamento ao crime, a Polícia Civil do Amazonas (PC-AM) prendeu ainda, nesta segunda-feira, 18, um homem de 49 anos condenado por estupro de vulnerável e exploração sexual contra uma criança no município de Manacapuru (a 100 quilômetros de Manaus).
Conforme as informações da polícia, os crimes ocorreram em 2013, quando a vítima tinha 11 anos. O homem foi condenado a 19 anos e 3 meses de prisão em regime fechado. Segundo as investigações, ele utilizava a proximidade com a família da vítima para manter contato frequente com a criança e oferecia presentes e vantagens materiais como forma de manipulação e tentativa de silenciamento, além de ameaças psicológicas para impedir denúncias.

A prisão ocorreu justamente no Dia Nacional de Combate ao Abuso e à Exploração Sexual de Crianças e Adolescentes, data criada a referência ao caso da menina Araceli, de apenas 8 anos, assassinada em 1973 em um crime que se tornou símbolo da luta contra a violência sexual infantil no Brasil. O 18 de Maio foi instituído por lei federal para mobilizar autoridades e a sociedade na proteção de crianças e adolescentes.
A delegada Joyce Coelho, responsável pela rede de proteção à criança e ao adolescente, destacou a importância da data para conscientizar a população e fortalecer ações preventivas e repressivas contra os crimes sexuais.
“Hoje, dia 18 de maio, é o Dia Nacional de Enfrentamento à Violência Sexual contra Crianças e Adolescentes. Essa é uma data significativa para toda a rede de proteção. Nesse dia, todas as polícias da Segurança Pública, juntamente com a sociedade civil, realizam ações de enfrentamento, preventivas e repressivas”, afirmou.

A delegada também alertou para a necessidade de combater a culpabilização das vítimas, principalmente em casos de exploração sexual.
“As pessoas acabam julgando a vítima como se ela tivesse culpa. Mas não é a criança ou adolescente que se prostitui. O culpado é sempre o adulto que oferece alguma vantagem em troca desse ato sexual”, destacou.
Durante o Maio Laranja, campanha nacional de conscientização sobre o tema, órgãos de segurança, instituições públicas e entidades sociais promovem palestras, ações educativas e mobilizações para incentivar denúncias e orientar famílias sobre sinais de abuso.
As denúncias de violência sexual contra crianças e adolescentes podem ser feitas de forma anônima pelo Disque 100, além das delegacias especializadas e conselhos tutelares. Autoridades reforçam que denunciar é fundamental para interromper ciclos de violência e garantir proteção às vítimas.
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