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Aos gritos de ‘mito’, Bolsonaro vai a ato ao lado de Heleno

Presidente saudou os manifestantes em frente ao Palácio do Planalto, não estava usando máscara de proteção e abraçou crianças
Foto: Wagner Pires / Futura Press

O presidente Jair Bolsonaro deixou o Palácio da Alvorada por volta das 11h30 de helicóptero e fez um sobrevoo pela Esplanada dos Ministérios, onde ocorria neste domingo (24) mais uma manifestação pró-governo. Ele postou um vídeo de dentro do helicóptero, mostrando a movimentação no local: “Brasília agora. Ordem e progresso”, escreveu.

Uma hora depois, Bolsonaro pousou na área da vice-presidência e participou do ato em frente ao Palácio do Planalto, sendo saudado como ‘mito’ pelos manifestantes. O evento foi transmitido ao vivo de sua página no Facebook. Há faixas contra o Supremo Tribunal Federal, a imprensa, e bandeiras do Brasil, de Israel e dos Estados Unidos.

O ministro do Gabinete de Segurança Institucional (GSI), general Augusto Heleno, e o deputado Hélio Lopes (PSL-RJ) acompanharam o presidente.

Bolsonaro não estava usando máscara de proteção, recomendada pela OMS (Organização Mundial da Saúde) e que tem uso obrigatório em Brasília, e abraçou crianças que furaram o bloqueio.

É o primeiro ato após a liberação da gravação do encontro ministerial, no qual, segundo o ex-ministro da Justiça Sergio Moro, Bolsonaro explicitava o que, no seu entender, era uma tentativa de interferir na PF. Apoiadores de Bolsonaro prometeram levar mil carros à manifestação.

Nas manifestações anteriores que ocorreram na Esplanada, os apoiadores puderam ficaram mais próximos ao presidente. Mas hoje, o esquema de segurança deixou os manifestantes na grade em frente à Praça dos Três Poderes.

Posted by Jair Messias Bolsonaro on Sunday, May 24, 2020

Na manifestação, os apoiadores reproduziam em faixas as falas do presidente na reunião do mês passado. Uma delas: “o povo armado jamais será escravizado.”

Minutos antes de sua participação no ato, Bolsonaro divulgou em seu perfil nas redes sociais o artigo 28 da Lei de Abuso de Autoridade, que ironicamente foi gestada em resposta à operação Lava Jato. “Divulgar gravação ou trecho de gravação sem relação com a prova que se pretenda produzir, expondo a intimidade ou a vida privada ou ferindo a honra ou a imagem de investigado: pena – detenção de 1 (um) a 4 (quatro) anos”, postou, sem referir-se ao ministro Celso de Mello, do STF.

Embora Bolsonaro cite a lei, que serviu de argumento a seus apoiadores contrários à divulgação do encontro, uma reunião ministerial no Palácio do Planalto nada tem a ver com intimidade ou vida privada do presidente da República, seu vice e seus ministros – todos ocupantes de cargos públicos, diga-se – presentes ao encontro, cujo objetivo era discutir estratégias para a implementação de políticas públicas.

Para assessores, a manifestação pró-Bolsonaro deste domingo, 24, mereceu atenção maior do presidente porque ocorreu, disseram, após “ataque explícito” para a “destituição do Bolsonaro”. “É uma demonstração de força”, diz um auxiliar em condição de anonimato.

Embora tenham feito um balanço positivo da divulgação das falas da reunião, os auxiliares afirmam que o governo passará a se “armar para a guerra que virá”. Citam as ameaças de novas ações contra os ministros Ricardo Salles (Ambiente) e Abraham Weintraub (Educação), por duas declarações no encontro. Enquanto o primeiro defendeu aproveitar a pandemia para “passar a boiada”, referindo-se a uma desregulamentação ambiental; o segundo, que se prendesse “esses vagabundos”, “começando no STF”.

O ato de apoiadores do presidente se soma à pressão contra o STF para tentar barrar a apreensão do celular de Bolsonaro. Na sequência da nota do ministro Augusto Heleno (GSI), que alertou na sexta-feira, 23, para o risco de “consequências imprevisíveis” caso fosse determinada a apreensão do aparelho (o que foi entendido como uma ameaça às instituições), o ministro da Defesa, Fernando Azevedo e Silva, afirmou ter sabido e concordado, a exemplo do próprio presidente, com o teor do alerta do ministro do GSI.

Apesar dos cumprimentos aos apoiadores, Bolsonaro não se manifestou durante a manifestação.

*Com informações das agências.

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