*Da Redação Dia a Dia Notícia
Em comemoração ao Dia Nacional do Cinema Brasileiro, celebrado nesta quinta-feira, 05, uma seleção de 10 filmes nacionais relembra produções que marcaram diferentes gerações e ajudaram a construir a história do audiovisual no país. A lista reúne obras de diferentes épocas e gêneros, desde clássicos como O Pagador de Promessas e Vidas Secas até sucessos como Central do Brasil e O Auto da Compadecida.
Uma história construída ao longo de gerações
A trajetória do cinema brasileiro começou ainda no século XIX, acompanhando a chegada das primeiras tecnologias de projeção ao país. Em 8 de julho de 1896, a primeira sessão pública de filmes foi realizada no Rio de Janeiro, na Rua do Ouvidor, acontecimento organizado pelo exibidor Henri Paillie. Já o dia 19 de junho é celebrado oficialmente como o Dia do Cinema Brasileiro por marcar as filmagens realizadas por Affonso Segretto na Baía de Guanabara, em 1898, consideradas os primeiros registros em movimento feitos no país.
Desde então, o audiovisual nacional passou por diferentes fases e transformações. Entre as décadas de 1940 e 1960, produções como as populares chanchadas e, posteriormente, os filmes do movimento Cinema Novo contribuíram para consolidar uma identidade própria. Enquanto as primeiras divertiam o público com sátiras culturais, o Cinema Novo trouxe narrativas que abordavam profundamente as questões sociais, culturais e políticas do país.
Com o passar dos anos, novas gerações de cineastas ampliaram as possibilidades de contar histórias brasileiras, levando produções nacionais a festivais internacionais e conquistando reconhecimento dentro e fora do país.
10 filmes brasileiros para conhecer ou rever:
1. O Cangaceiro (1953)

Dirigido por Lima Barreto, o filme acompanha um grupo de cangaceiros que percorre o sertão nordestino sob a liderança de Galdino. A narrativa ganha novos conflitos quando um dos integrantes se envolve com uma professora sequestrada pelo bando.
A produção tornou-se um marco do cinema nacional ao conquistar o prêmio de melhor filme de aventura no Festival de Cannes, em 1953, contribuindo para ampliar a visibilidade internacional das produções brasileiras.
2. O Pagador de Promessas (1962)

A história acompanha Zé do Burro, um homem que faz uma promessa para salvar seu animal de estimação e decide carregar uma cruz até uma igreja em Salvador para cumprir o compromisso.
Dirigido por Anselmo Duarte, o longa aborda conflitos entre fé popular e instituições religiosas, além de discutir intolerância e desigualdade. Em 1962, entrou para a história ao conquistar a Palma de Ouro no Festival de Cannes.
3. Vidas Secas (1963)

Baseado no romance de Graciliano Ramos, o filme de Nelson Pereira dos Santos retrata a jornada de uma família de retirantes pelo sertão nordestino. Em busca de sobrevivência, Fabiano, Sinhá Vitória, os dois filhos e a cadela Baleia enfrentam a seca, a fome e a falta de perspectivas.
Com uma narrativa marcada pelo realismo e pela crítica social, a obra tornou-se uma das principais referências do Cinema Novo brasileiro.
4. Deus e o Diabo na Terra do Sol (1964)

Dirigido por Glauber Rocha, o longa acompanha Manuel, um vaqueiro que, após entrar em conflito com um coronel, passa a percorrer o sertão ao lado da esposa, Rosa.
Durante a jornada, o casal encontra movimentos religiosos e figuras ligadas ao cangaço, em uma narrativa que aborda desigualdade, violência, fé e conflitos sociais. A produção é considerada uma das obras mais importantes do Cinema Novo.
5. Dona Flor e Seus Dois Maridos (1976)

Ambientada na Bahia, a comédia dirigida por Bruno Barreto apresenta Dona Flor, que fica viúva após a morte de Vadinho. Posteriormente, ela se casa com Teodoro, um homem responsável e de comportamento tranquilo.
A situação muda quando o espírito do primeiro marido reaparece, provocando situações inesperadas. Baseado na obra de Jorge Amado, o filme mistura humor, romance e fantasia.
6. Bye Bye Brasil (1980)

Dirigido por Cacá Diegues, o filme acompanha um grupo de artistas itinerantes que percorre o interior do país apresentando espetáculos para comunidades afastadas dos grandes centros urbanos.
Durante a viagem, os personagens encontram diferentes realidades brasileiras e testemunham as transformações culturais provocadas pela modernização e pela expansão da televisão. A produção oferece um retrato da diversidade e das mudanças sociais do Brasil.
7. A Hora da Estrela (1985)

Baseado no livro de Clarice Lispector e dirigido por Suzana Amaral, o filme conta a história de Macabéa, uma jovem nordestina que se muda para São Paulo em busca de melhores oportunidades.
Ao trabalhar como datilógrafa, ela enfrenta dificuldades financeiras, solidão e invisibilidade social. Interpretada por Marcélia Cartaxo, a personagem protagoniza uma narrativa sobre desigualdade, sonhos e a busca por reconhecimento.
8. Central do Brasil (1998)

Dirigido por Walter Salles, o drama acompanha Dora, uma ex-professora que escreve cartas para pessoas analfabetas na estação Central do Brasil, no Rio de Janeiro.
Sua rotina muda quando conhece Josué, um menino que perde a mãe e deseja encontrar o pai. Juntos, eles iniciam uma viagem pelo interior do país, desenvolvendo uma relação marcada por descobertas e afeto.
O longa conquistou o Urso de Ouro no Festival de Berlim e recebeu duas indicações ao Oscar, incluindo a de Melhor Atriz para Fernanda Montenegro.
9. O Auto da Compadecida (2000)

Inspirado na obra de Ariano Suassuna e dirigido por Guel Arraes, o filme acompanha as aventuras de João Grilo e Chicó, dois amigos que utilizam a criatividade e a esperteza para enfrentar as dificuldades da vida no sertão nordestino.
Com humor, elementos religiosos e referências à cultura popular, a produção conquistou diferentes gerações e se tornou uma das comédias mais populares da história do cinema brasileiro.
10. Cidade de Deus (2002)

Dirigido por Fernando Meirelles e Kátia Lund, o filme retrata o cotidiano da comunidade Cidade de Deus, no Rio de Janeiro, entre as décadas de 1960 e 1980.
A narrativa acompanha Buscapé, um jovem que encontra na fotografia uma possibilidade de construir um futuro diferente, enquanto presencia o crescimento da violência e do tráfico de drogas na região.
A produção recebeu quatro indicações ao Oscar em 2004 e conquistou reconhecimento internacional, tornando-se uma das obras brasileiras de maior repercussão mundial.
Valorização do cinema nacional
Mais do que contar histórias, o cinema brasileiro registra diferentes períodos da sociedade, apresenta a diversidade cultural do país e dá visibilidade a personagens e realidades que fazem parte da identidade nacional.
Neste Dia do Cinema Brasileiro, revisitar essas produções é também reconhecer a contribuição de diretores, roteiristas, atores, produtores e tantos outros profissionais que ajudaram a construir a história do audiovisual no país. Uma oportunidade para valorizar as obras nacionais e descobrir histórias que continuam atravessando gerações.
