*Da Redação Dia a Dia Notícia
No Dia Internacional dos Povos Indígenas, celebrado neste domingo, 09, o Tribunal Regional Eleitoral do Amazonas (TRE-AM) destaca a participação dos povos originários nas Eleições Gerais de 2026. O Amazonas reúne o maior eleitorado indígena do país, com 73.580 eleitores aptos a votar, número que representa 25,6% do eleitorado indígena brasileiro e 53,7% da Região Norte.
O número representa um crescimento expressivo em relação às Eleições Municipais de 2024, quando o Amazonas registrava 37.359 eleitores indígenas. São 36.221 novos registros, praticamente dobrando o contingente identificado no cadastro eleitoral.
O avanço reflete o aperfeiçoamento do cadastro da Justiça Eleitoral e a ampliação da identificação étnico-racial dos eleitores. A medida contribui para fortalecer a representatividade dos povos originários e permite que as ações eleitorais sejam planejadas de acordo com as diferentes realidades das comunidades indígenas.
Um dos marcos desse processo foi a inclusão, em novembro de 2022, do campo de autodeclaração étnico-racial no cadastro eleitoral. Desde então, os eleitores podem informar sua etnia e o pertencimento a povos e comunidades tradicionais durante o atendimento da Justiça Eleitoral.
Além de aprimorar as estatísticas oficiais, a iniciativa possibilita um conhecimento mais preciso sobre a diversidade do eleitorado brasileiro e subsidia o desenvolvimento de políticas de inclusão, acessibilidade e atendimento adequado às especificidades culturais de diferentes comunidades.
A voz é diversa
No Amazonas, a diversidade indígena se expressa em grandes contingentes de etnias como Tikuna e Kokama, mas também está presente em comunidades multiétnicas. É o caso da comunidade indígena Cipiá, localizada nas proximidades de Manaus, onde convivem integrantes das etnias Desana, Tuyuka, Cubeua e Mucuna.
As quatro etnias carregam a herança cultural do Alto Rio Negro e têm origem em São Gabriel da Cachoeira, município amazonense localizado na fronteira com a Colômbia e considerado o mais indígena do Brasil.
Liderança da comunidade Cipiá, Francis Desano, cujo nome em sua língua tradicional é “Gui”, que significa ser humano do dia, destaca a importância da participação indígena no processo eleitoral.
“A campanha eleitoral é uma força de todos; todos nós temos o nosso direito de poder falar e ter nossa voz representada. Indígenas, quilombolas, ribeirinhos, brancos, todos precisamos ter nossas necessidades atendidas e, por isso, precisamos que olhem para nós, para nossas terras, para sermos mais amparados”.
Para Francis, a participação no processo eleitoral também representa uma oportunidade de ampliar a visibilidade das demandas das comunidades indígenas.
“Através da nossa voz, os nossos governantes poderão olhar para nossas necessidades e para as terras onde vivemos, para que possamos ser mais amparados no futuro”.
Ele também ressaltou a importância do voto para a construção de um futuro que contemple as próximas gerações.
A presença indígena no eleitorado amazonense reforça, assim, a importância de garantir que diferentes comunidades tenham acesso aos mecanismos de participação democrática e possam exercer plenamente o direito ao voto.
*Com informações da assessoria
