*Da Redação Dia a Dia Notícia
O Tribunal de Justiça Desportiva do Amazonas (TJD-AM) determinou o retorno à Procuradoria do processo que apura a confusão após a final do Campeonato Amazonense de Futsal Sub-20, realizada no último dia 30 de julho, na Arena Amadeu Teixeira, em Manaus. A defesa do Grêmio Recanto da Criança apresentou imagens e documentos que, segundo o clube, podem esclarecer a sequência dos fatos. Entre os argumentos, a defesa sustenta que um vídeo registra um desentendimento anterior ao tumulto entre o jogador Kevin Gabriel e o árbitro Elson Barão que, segundo o relato, teria iniciado a agressão dando um soco no peito do atleta. Os novos elementos ainda serão analisados pelo Tribunal.
A decisão do TJD-AM ocorre após a defesa do Recanto da Criança questionar a forma como os acontecimentos foram inicialmente apresentados. Na ocasião, o Grêmio da Amazônia venceu o Recanto por 8 a 3 e conquistou o título estadual. Após o apito final, vídeos publicados nas redes sociais mostraram o árbitro Elson Barão sendo cercado por atletas, integrantes da comissão técnica e torcedores da equipe derrotada. Nas imagens, o árbitro aparece tentando deixar a quadra e utilizando um rodo para se proteger.
Diante do episódio, a Federação Amazonense de Futebol de Salão (FAFS) anunciou a suspensão preventiva de atletas e integrantes da comissão técnica do Recanto da Criança das competições organizadas pela entidade até o julgamento do caso pelo Tribunal de Justiça Desportiva.
Defesa
Agora, a defesa busca apresentar ao Tribunal outros elementos que antecederam as cenas que ganharam repercussão. Segundo o clube, imagens de segurança e o Boletim de Ocorrência nº 00241905/2026 ajudam a reconstruir a sequência do episódio e devem ser considerados na avaliação da responsabilidade de cada envolvido.
A defesa sustenta que o atleta Kevin Gabriel teria se aproximado do árbitro para questionar uma marcação e que, nesse momento, teria recebido um soco no peito. Para os representantes do Recanto, o episódio teria desencadeado a reação que terminou no tumulto. A alegação, contudo, ainda será analisada pelo TJD-AM junto aos demais elementos do processo.
Outro ponto destacado pela defesa é a atuação de integrantes do Recanto durante a confusão. Segundo o clube, as imagens mostram membros da comissão técnica e a fisioterapeuta tentando conter os ânimos e formando um cordão de isolamento ao redor do árbitro, com o objetivo de auxiliar na retirada dele da quadra.
Em um dos vídeos apresentados pela defesa, o delegado da partida aparece dizendo ao árbitro: “Você é o culpado”. Para o clube, o registro é mais um elemento que deve ser considerado na reconstrução do episódio.
A defesa também apresentou ao Tribunal informações sobre processos judiciais envolvendo o árbitro em anos anteriores, relacionados a acusações de ameaça e lesão corporal. Os registros foram citados pelos representantes do Recanto como parte do contexto que, na avaliação deles, precisa ser considerado durante a apuração.
O advogado do Grêmio Recanto da Criança, Dr. Marcelo Amil, afirma que a reabertura da análise é importante para que o caso seja avaliado a partir de todos os elementos disponíveis.
“O árbitro, até pelo histórico de processos criminais que carrega, foi o estopim de toda a situação. Ele agrediu fisicamente um atleta de base com um soco, e essa atitude inaceitável foi o elo desencadeador de todo o tumulto. Não se pode fechar os olhos para a origem dos fatos nem responsabilizar exclusivamente o clube por uma reação gerada pela postura violenta de quem deveria prezar pela ordem no jogo”, pontuou Amil.
Durante a sessão, um dos auditores teria manifestado entendimento favorável à absolvição do clube. O processo, no entanto, retorna à Procuradoria para aprofundamento das investigações, e os novos elementos ainda serão avaliados pelo Tribunal antes de uma decisão definitiva sobre as responsabilidades no episódio.
Famílias acompanham andamento do processo
A continuidade da apuração também foi recebida com alívio por familiares dos atletas envolvidos. Caiane Vaz, mãe de um dos jogadores, afirmou que a apresentação de novos elementos permite que o episódio seja analisado considerando também o que aconteceu antes das imagens que circularam nas redes sociais.
“Fiquei muito feliz e aliviada pelo meu filho. Muitas pessoas julgaram sem dar a oportunidade de ouvir o outro lado ou entender como tudo começou; só viram a parte final. O Recanto tem uma história bonita, de títulos e de destaque no esporte amazonense, no escolar e no nacional. Agradeço muito o trabalho brilhante da defesa por mostrar a verdade e não permitir que o futuro dos nossos filhos seja prejudicado por um erro que não foi deles.”
Com o retorno dos autos à Procuradoria, caberá ao TJD-AM avaliar as imagens, documentos e demais elementos apresentados pelas partes. A nova etapa do processo deverá contribuir para esclarecer a sequência dos acontecimentos e definir, a partir das provas analisadas, eventual responsabilidade dos envolvidos.
