*Da Redação Dia a Dia Notícia
A trajetória política da candidata ao governo do Amazonas Maria do Carmo Seffair (PL) está ligada à tradicional família Lins de Albuquerque, que há décadas mantém presença na política amazonense. O vínculo familiar inclui o deputado federal Átila Lins, seu cunhado e integrante da chapa de Omar Aziz, e Wellington Lins de Albuquerque, marido da candidata, que foi citado em uma reportagem da Folha de S. Paulo, publicada em 1997, por ter enfrentado processo por estelionato e tido a prisão decretada à época. Os episódios fazem parte do histórico político e empresarial da família e divergem do discurso de renovação defendido por Maria do Carmo durante a campanha.
A ligação com os Lins ocorre pelo casamento de Maria do Carmo com Wellington Lins de Albuquerque, irmão do deputado federal Átila Lins. O parlamentar, que possui uma longa trajetória na política amazonense, atualmente integra a chapa de Omar Aziz na disputa pelo governo do Estado. O parentesco coloca Maria do Carmo em uma família com décadas de atuação na política do Amazonas, embora a candidata tenha construído parte de seu discurso eleitoral em torno da renovação e da crítica à chamada “velha política”.
O nome da família também aparece em registros da imprensa relacionados a episódios controversos ocorridos nas décadas anteriores.
Em 20 de outubro de 1997, a Folha de S. Paulo publicou uma reportagem intitulada “Governo põe irmão de deputado no DNER”, que tratava da nomeação de Wellington Lins para o cargo de diretor do Departamento Nacional de Estradas de Rodagem (DNER) no Amazonas.

Na publicação, o jornal informou que Wellington havia sido indicado para o cargo pelo então deputado federal Átila Lins, seu irmão.
A reportagem também relatou que Wellington Lins era empresário e presidia a Planecom Empreendimento e Construção Ltda., empresa que atuava no Amazonas e havia recebido recursos da Suframa para obras no Estado.
A reportagem informou ainda que, em junho de 1997, a Justiça havia decretado a prisão de Wellington por ele não se apresentar ao processo. Ele foi detido no aeroporto de Manaus e posteriormente liberado. O próprio empresário negou irregularidades e afirmou, à época, ser vítima de perseguição política.
É justamente nesse ponto que surge uma das controvérsias em torno da candidatura. Maria do Carmo tenta ocupar o espaço de uma candidata que se apresenta como alternativa aos grupos tradicionais. A própria trajetória empresarial e sua entrada na disputa eleitoral são utilizadas para reforçar a imagem de alguém de fora da política profissional.
Ao mesmo tempo, a candidata possui uma relação familiar direta com nomes que fazem parte da política amazonense há décadas.
O caso ganha ainda mais peso porque Átila Lins está atualmente no mesmo partido político de Omar Aziz (PSD), adversário de Maria do Carmo na disputa pelo governo estadual.
Dessa forma, a sua candidatura reúne dois pontos que podem parecer contraditórios: de um lado, o discurso de renovação e de ruptura com práticas tradicionais, a ‘política nova’; de outro, uma ligação familiar com um grupo político de longa presença no poder estadual, a tal ‘política velha’, nomeada pela mesma.
