Manaus, quarta-feira 17 de junho de 2026
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Crimes contra idosos crescem no Amazonas; delegada aponta violência de casa como principal desafio

Imagem gerada por Inteligência Artificial (IA)

*De Dhemily Costa para Redação Dia a Dia Notícia 

Os crimes contra idosos continuam crescendo no Amazonas. Entre janeiro e março de 2026, o estado registrou 3.688 ocorrências que expõem uma realidade silenciosa marcada por medo, vergonha e isolamento. Os dados da Secretaria de Segurança Pública (SSP-AM) mostram que Manaus concentrou 71% das denúncias durante o período, enquanto a delegada Larissa Barreto, da Delegacia Especializada em Crimes contra a Pessoa Idosa (Decci), aponta que mais de 60% dos agressores estão no ambiente familiar, o psicólogo e pesquisador Eduardo Azevedo alerta para os impactos emocionais causados pelos crimes, que podem levar ao isolamento social e à perda da autonomia na velhice.

Segundo a delegada Larissa Barreto, titular da Delegacia Especializada em Crimes contra a Pessoa Idosa (Decci), o aumento dos registros está relacionado ao maior encorajamento das vítimas e testemunhas para denunciar situações de violência. “Tem cada vez mais denúncias, tanto das próprias pessoas idosas quanto de familiares, vizinhos e instituições. Hoje contamos com diversos canais de denúncia e uma rede de proteção que ajuda essas vítimas a romper o ciclo de violência”, destacou.

Conforme a delegada, mais de 60% dos agressores estão dentro do ambiente familiar, o que torna a denúncia ainda mais difícil para os idosos. “É muito difícil denunciar um filho ou um neto. Muitas vezes, são pessoas que eles criaram e amaram durante toda a vida”, afirmou.

O Painel de Indicadores Criminais da SSP-AM, mostra que o estado registrou aumento gradual das ocorrências nos três primeiros meses de 2026. Foram 1.169 casos em janeiro, 1.158 em fevereiro e 1.361 em março. Na capital, os crimes mais frequentes foram furto (734), estelionato (537) e ameaça (243).

Além da capital amazonense, os municípios com maiores números de registros foram Itacoatiara, com 98 ocorrências; Manacapuru, com 79; Tefé, com 56; e Coari, com 49 casos.

Dados da Secretaria de Segurança Pública (SSP-AM)

Para o psicólogo e pesquisador pela Universidade Federal do Amazonas (Ufam), Eduardo Azevedo, os impactos dos crimes contra idosos vão muito além dos prejuízos materiais. Ele explica que vítimas de golpes e outras formas de violência costumam desenvolver sentimentos de medo, tristeza e raiva. “O idoso deixa de se enxergar como uma pessoa autônoma. Ele passa a se perceber como alguém vulnerável, sente vergonha por ter sido enganado e permanece em estado constante de alerta”, explicou.

Segundo o especialista, esse processo pode levar ao isolamento social, considerado um dos principais sinais de sofrimento emocional após a violência. “Muitos deixam de participar de atividades que gostavam, se afastam de grupos da igreja, das caminhadas e até das conversas pelo celular. O isolamento acaba sendo uma consequência muito comum”.

Os dados da SSP-AM mostram crescimento de crimes ligados ao ambiente digital, como estelionato e invasão de dispositivos informáticos. Para Larissa Barreto, os idosos se tornaram alvos frequentes de golpistas por manterem hábitos que os tornam mais acessíveis a contatos telefônicos e mensagens fraudulentas.

Além dos golpes financeiros, a delegada ressaltou que a Decci  também atende casos de negligência, abandono e apropriação indevida de aposentadorias e pensões por familiares. “Muitas vezes encontramos idosos sem alimentação adequada, sem acompanhamento médico e vivendo em condições degradantes. São situações que configuram maus-tratos e podem resultar em prisão em flagrante”, disse.

Enquanto o Amazonas se prepara para uma população cada vez mais envelhecida, especialistas defendem que o combate à violência contra idosos passa não apenas pela repressão aos crimes, mas também pelo fortalecimento dos laços familiares e comunitários.

Para Eduardo Azevedo, o acolhimento é fundamental após qualquer situação de violência. “A família precisa acolher e não julgar. O idoso já está enfrentando sentimentos de culpa e vergonha. O apoio emocional é tão importante quanto buscar ajuda jurídica ou policial.”

Denuncie

As denúncias podem ser realizadas por meio do Disque 100 [Direitos Humanos] e Disque 181, ou ainda presencialmente na Delegacia Especializada em Crimes Contra o Idoso (Decci), localizada na rua do Comércio, s/n°, Parque Dez, zona Centro-Sul de Manaus. O telefone da unidade é (92) 98214-5800. Os casos também podem ser denunciados em qualquer delegacia do Estado.

Nota

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