Manaus, sexta-feira 23 de outubro de 2026
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Caso Benício: laudo não aponta edição em vídeo apresentado pela defesa de médica; delegado questiona material

Foto: Divulgação

*Da Redação Dia a Dia Notícia

Uma perícia do Instituto de Criminalística do Amazonas não encontrou sinais de edição em um vídeo apresentado pela defesa da médica Juliana Brasil, investigada pela morte de Benício Xavier, de 6 anos, em Manaus. Apesar disso, os peritos não conseguiram identificar o sistema hospitalar exibido nem confirmar se o áudio foi removido. O delegado Marcelo Martins, responsável pelo caso, suspeita de possível manipulação do próprio sistema.

Assinado em 06 de outubro, o laudo aponta que o vídeo apresentado pela defesa é uma cópia recomprimida por um aplicativo, sem metadados que permitam identificar sua origem. As imagens mostram a tela de um computador filmada por uma câmera. Apesar de não encontrar sinais de edição, a perícia não conseguiu identificar o sistema hospitalar exibido nem determinar se o áudio foi removido posteriormente.

O delegado Marcelo Martins, responsável pela investigação, afirmou que a suspeita não é de edição do vídeo, mas de possível manipulação do próprio sistema hospitalar e do cenário apresentado na gravação. Ele também reafirmou que o material é clandestino.

Parte da tela aparece encoberta por um caderno, o que dificultou a identificação de informações como o sistema utilizado, o paciente e a data e o horário da gravação.

Relembre o caso

Benício Xavier de Freitas morreu em 23 de novembro de 2025, em um hospital particular de Manaus, após ser levado à unidade com tosse seca e suspeita de laringite. Segundo a Polícia Civil, a médica Juliana Brasil prescreveu adrenalina por via intravenosa, embora a administração indicada para o quadro fosse por inalação. A técnica de enfermagem Raiza Bentes aplicou o medicamento na veia, mesmo após a mãe do menino questionar o procedimento. Em seguida, a criança sofreu sucessivas paradas cardíacas e morreu.

A investigação apontou um ‘erro médico grosseiro’ e uma superdosagem de adrenalina. A polícia também informou que Juliana trocava mensagens sobre venda de maquiagem pelo celular durante o atendimento e que ela se apresentava como pediatra sem possuir Registro de Qualificação de Especialista (RQE) na área.

Em julho, a Justiça do Amazonas manteve a médica e a técnica de enfermagem como rés e rejeitou os pedidos das defesas para anular a denúncia e encerrar o processo. Também negou o pedido de Acordo de Não Persecução Penal (ANPP) feito pela defesa de Juliana, por se tratar de uma acusação de homicídio doloso.

Na mesma decisão, o juiz determinou que a defesa tivesse acesso integral às provas digitais da investigação, incluindo registros do sistema hospitalar e vídeos em formato original.

Nota

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