*Da Redação Dia a Dia Notícia
O Ministério Público do Trabalho (MPT) recebeu 530 denúncias de assédio eleitoral entre a noite de domingo, 25, e a tarde de terça-feira, 27, após o resultado das eleições de 2026. O número representa 21,4% das 2.467 denúncias registradas pela instituição ao longo do ano, segundo balanço atualizado até as 17h45 de terça-feira, e inclui relatos de práticas que continuaram mesmo depois do encerramento da votação, como publicações nas redes sociais que incentivam empresários a demitir trabalhadores por suas escolhas políticas.
As denúncias envolvem situações que podem incluir ameaças de demissão, dispensas, recusa de contratação e outras formas de retaliação motivadas pelo voto ou pelas convicções políticas dos trabalhadores. O MPT informa que recebe relatos de práticas ocorridas antes, durante e depois das eleições e orienta vítimas e testemunhas a preservar provas para ajudar na apuração.
Segundo o procurador-geral, a instituição acompanha as denúncias e atuará na apuração dos casos. O MPT orienta quem sofreu ou presenciou situações de assédio eleitoral a registrar a ocorrência pelo site www.mpt.mp.br, em um procedimento que pode ser realizado remotamente e de forma sigilosa.
Para contribuir com a investigação, a instituição recomenda guardar capturas de tela de mensagens e publicações nas redes sociais, áudios, gravações de tela e informações sobre possíveis testemunhas. O material pode ajudar a documentar as situações relatadas e a identificar as circunstâncias em que ocorreram.
O presidente do Tribunal Superior do Trabalho (TST), ministro Vieira de Mello Filho, também afirmou que a atuação contra o assédio eleitoral continuará depois do encerramento das eleições. A declaração foi feita na segunda-feira, 26, durante a 13ª sessão ordinária do Tribunal Pleno, quando ele destacou a parceria entre o tribunal e o MPT na prevenção e na apuração dessas ocorrências.
“O assédio eleitoral é uma chaga que ainda persiste em nossa sociedade. É uma prática que atenta contra a liberdade de consciência, a dignidade do trabalhador e o próprio exercício da democracia. Nenhum trabalhador pode ser ameaçado, pressionado ou constrangido por causa de suas opiniões políticas ou da escolha de seu candidato”, afirmou o ministro.
