*Da Redação Dia a Dia Notícia
O Estado do Amazonas ampliou a estrutura de combate aos incêndios florestais, que conta com 18 aeronaves, mais de 100 viaturas e cerca de 1.500 servidores, entre bombeiros militares e brigadistas. A força-tarefa atua em 36 municípios, com apoio dos governos estadual e federal. Segundo dados do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe), o número de focos de calor caiu 55,7% entre os períodos de 1º a 11 e de 11 a 21 de outubro, passando de 1.372 para 608 registros. Na capital amazonense, os indicadores também apontam melhora na qualidade do ar.
Durante reunião realizada nesta quarta-feira, 21, na sede do Corpo de Bombeiros Militar do Amazonas (CBM-AM), o governador Roberto Cidade (União Brasil) afirmou que as ações de enfrentamento aos incêndios continuarão ao longo do período de estiagem, diante da possibilidade de mudanças nas condições climáticas.
“Estamos vencendo mais uma batalha, mas a guerra vai até o final do ano porque a gente não sabe como o tempo irá se comportar. O Governo do Amazonas está trabalhando incansavelmente para combater os incêndios com muita dedicação e responsabilidade”, disse.
Reforço aéreo e equipes de apoio
A estrutura aérea passou de 11 para 18 aeronaves, sendo 16 do Governo Federal e duas do Governo do Amazonas. A frota inclui oito aviões Air Tractor, duas aeronaves KC-390 e oito helicópteros, utilizados nas operações de combate aos incêndios florestais.
O trabalho também conta com o apoio das Forças Armadas e de profissionais de outros estados. O CBM-AM iniciou a capacitação de 50 militares da Marinha do Brasil, que começam a atuar nesta semana nas áreas consideradas mais críticas, após treinamento teórico e prático.
Além disso, o Amazonas recebeu 30 profissionais enviados pelo Governo de São Paulo, entre eles 25 bombeiros especializados no combate a incêndios e cinco integrantes da Defesa Civil estadual.
O comandante-geral do CBMAM, coronel Orleilso Muniz, destacou que as ações incluem não apenas o combate direto às chamas, mas também a investigação de possíveis crimes ambientais e a identificação dos responsáveis por queimadas ilegais.
“Essa operação não é apenas de combate a incêndios, ela também envolve a investigação e a repressão aos crimes ambientais. Por isso, reforçamos que você não pode atear fogo em hipótese alguma. Quase a totalidade dos incêndios tem origem humana. Se você insiste em atear fogo, o Estado, por meio das polícias, irá identificar e responsabilizar todos aqueles que insistem em cometer crimes ambientais”, afirmou.
Fiscalização e prevenção
Entre as medidas adotadas pelo governo estadual está a contratação de mais 153 brigadistas florestais por meio do programa Floresta em Pé. Também foram realizadas entregas de viaturas, incluindo picapes equipadas com kits de combate a incêndio, e equipamentos multimissão para reforçar a atuação das equipes em campo.
As ações de fiscalização estão distribuídas em diferentes frentes. A Operação Tamoiotatá atua em 13 municípios, enquanto a Amazonas+Verde realiza atividades de combate aos incêndios em 33 municípios. Já a Operação Alerta Fogo fiscaliza o uso irregular do fogo com apoio de drones e viaturas equipadas com internet via Starlink, permitindo a aplicação de multas e embargos em casos de infração ambiental.
Como medida preventiva, decretos estaduais proibiram o uso do fogo por 120 dias em todo o Amazonas, respeitadas as exceções previstas em lei. O governo também declarou situação de emergência por 180 dias em áreas afetadas por incêndios florestais e em todo o estado em razão da estiagem, o que permite ampliar as medidas de resposta e recuperação.
As iniciativas incluem ainda atividades de educação ambiental, que alcançaram mais de 43 mil pessoas entre junho e agosto de 2026. O monitoramento dos focos de calor é realizado por meio de imagens de satélite pela Secretaria de Estado do Meio Ambiente (Sema) e pelo Instituto de Proteção Ambiental do Amazonas (Ipaam), que utilizam os dados para direcionar fiscalizações e identificar possíveis infrações.
Balanço das ocorrências
Entre 1º de junho e 20 de outubro, o CBM-AM contabilizou 3.789 ocorrências relacionadas a incêndios urbanos e florestais e atuou no combate a 23.527 focos. Desse total, 4.708 foram registrados na capital e 18.819 no interior do estado.
Em relação à qualidade do ar, sensores do Sistema Eletrônico de Vigilância Ambiental (Selva), da Universidade do Estado do Amazonas (UEA), registraram, na manhã desta quarta-feira, concentrações de material particulado entre 27,4 e 33,9 microgramas por metro cúbico (µg/m³) em diferentes pontos de Manaus. Os índices indicaram melhora nas condições atmosféricas, com classificação predominantemente moderada nos locais monitorados.
*Com informações da assessoria
