*Da Redação Dia a Dia Notícia
O Governo do Amazonas reforçou as ações de combate a incêndios em 13 municípios do estado, por meio da operação Amazonas+Verde. A ação dá continuidade às medidas previstas no decreto publicado em 09 de setembro, que proibiu o uso do fogo por 120 dias no Amazonas, e foi apresentada nesta quarta-feira, 23, no Centro Integrado de Comando e Controle (CICC), em Manaus. Durante o encontro, órgãos estaduais detalharam as estratégias de fiscalização, monitoramento de focos de calor e atuação em áreas de difícil acesso.
Participaram do encontro representantes do Corpo de Bombeiros Militar do Amazonas (CBM-AM), Instituto de Proteção Ambiental do Amazonas (Ipaam), Secretaria de Estado do Meio Ambiente (Sema), Secretaria de Estado de Saúde (Ses), Secretaria de Estado de Segurança Pública (SSP), Polícia Civil e Polícia Militar.
Durante a apresentação, o comandante-geral do CBM-AM, coronel QOBM Orleilso Ximenes Muniz, destacou as altas temperaturas registradas em Manaus e a influência das condições climáticas na concentração da fumaça. Segundo ele, a capital registrou mais de 38°C na terça-feira, dia 22, enquanto a sensação térmica teria ultrapassado 42°C.
“Esse fenômeno contribui para a formação de zonas de baixa pressão no aglomerado urbano”, explicou o comandante.
Ele afirmou ainda que a fumaça e outros materiais produzidos por queimadas em municípios do entorno de Manaus e da Região Metropolitana podem se concentrar nessas áreas, dependendo das condições atmosféricas.
Muniz afirmou que as equipes do Corpo de Bombeiros seguem mobilizadas na capital e no interior. Segundo ele, quatro novas viaturas de grande porte para combate a incêndios devem entrar em operação no início de outubro. O investimento informado durante o evento ultrapassa R$ 13 milhões.
Uma quinta viatura também está sendo deslocada para o Sul do Amazonas e deverá atuar na região de Humaitá, reforçando a estrutura de resposta aos incêndios no interior.
O comandante também voltou a pedir que a população não faça queimadas e reforçou que a prática pode configurar crime.
“Eu clamo à população que não ateiem fogo em hipótese alguma”, afirmou. Em seguida, reforçou: “Incêndio é crime.”
Fiscalização terá três eixos
O diretor-presidente do Ipaam, Gustavo Picanço, explicou que o órgão vai ampliar a atuação na Região Metropolitana de Manaus, com foco no monitoramento de focos de calor e no trabalho conjunto com a Polícia Ambiental.
A estratégia contempla os 13 municípios da Região Metropolitana, distribuídos em três eixos de atuação. O primeiro reúne Manaus, Iranduba, Manacapuru e Novo Airão. O segundo contempla Rio Preto da Eva, Presidente Figueiredo, Silves, Itapiranga e Itacoatiara. Já o terceiro inclui Careiro da Várzea, Careiro Castanho, Manaquiri e Autazes.
“Nós vamos focar agora na Região Metropolitana, onde estão 13 municípios. Isso é uma operação em conjunto com a Polícia Ambiental, onde nós vamos estar fortalecendo [a atuação] e essa equipe vai estar integral nessas áreas”, afirmou Picanço.
O trabalho também será articulado com a Sema e a SSP. De acordo com o diretor-presidente, a ‘Operação Boitatá’ deverá se integrar às equipes para ampliar a fiscalização em regiões de difícil acesso.
Drones e internet ajudam no monitoramento
Para auxiliar as equipes durante as fiscalizações, o Ipaam passou a contar com dois novos drones, que serão utilizados no acompanhamento dos focos de calor e na identificação de áreas que precisam de atendimento.
“Também conseguimos agora mais dois drones, que nós vamos também acompanhar os focos de calor através dos drones”, disse Picanço.
Os veículos empregados na operação também estão equipados com internet via Starlink. Segundo o diretor-presidente, a conexão permite que os agentes tenham acesso a informações durante as ações em campo, inclusive em locais onde há dificuldade de comunicação. Picanço explicou que, a partir da identificação de uma área com foco de calor, as equipes podem consultar informações cadastrais e ambientais para verificar a propriedade e a situação do imóvel. Com esses dados, o Ipaam pode ser acionado para adotar as medidas de fiscalização cabíveis.
A estrutura também deve facilitar o trabalho em regiões mais afastadas, permitindo que os agentes tenham acesso às informações necessárias enquanto realizam o deslocamento e a fiscalização.
A operação Amazonas+Verde ocorre em meio ao período de maior atenção às queimadas no estado e à fumaça que tem afetado Manaus. A atuação integrada dos órgãos busca ampliar o monitoramento, a fiscalização e a resposta aos focos de incêndio na capital amazonense e no interior.
