*Da Redação Dia a Dia Notícia
A mãe dos irmãos Allan e Ágatha, crianças desaparecidas no Maranhão, passou mal após ter acesso, pela primeira vez, a parte dos autos da investigação sobre o desaparecimento dos filhos. Clarice Cardoso analisava os documentos ao lado da advogada Nathaly Moraes nesta sexta-feira, 11, depois que a defesa teve acesso liberado pela Polícia Civil, quando apresentou mal-estar. Em entrevista à TV Band Maranhão, a advogada relatou a reação de Clarice e afirmou que as informações encontradas nos autos levantaram questionamentos sobre a condução das buscas pelas crianças.
A versão apresentada pela Polícia Civil sobre a atuação de órgãos internacionais nas buscas por Allan e Ágatha foi contestada pela advogada Nathaly Moraes ainda nesta sexta-feira, 11. A divergência veio à tona após o delegado-geral Augusto Barros afirmar, na quarta-feira, 09, que a Polícia Federal (PF) havia sido consultada sobre a possibilidade de os irmãos estarem entre crianças localizadas em uma operação nos Estados Unidos, mas que não havia pedido de cooperação internacional indicando que os dois haviam sido encontrados no país.
Na mesma ocasião, a PF informou que nenhuma criança brasileira estava entre as 163 pessoas localizadas durante a operação. O delegado também afirmou que não havia, até aquele momento, informação oficial que relacionasse Allan e Ágatha às crianças encontradas nos Estados Unidos.
A advogada, porém, apresentou uma versão diferente. Em vídeo publicado nas redes sociais, Nathaly afirmou que a Interpol havia sim entrado em contato com a defesa e que as informações repassadas à família não correspondiam ao que elas estavam acompanhando no caso.
“É reforço também que houve algumas falas infelizes, por sinal, de quem estava representando a Polícia Civil, dizendo que a Polícia Federal não havia entrado em contato com a gente, que a Interpol não havia entrado em contato, quando, na verdade, entrou em contato sim. Nós temos as evidências”, afirmou.
Segundo Nathaly, outro ponto de divergência está na inclusão dos nomes das crianças nos mecanismos de alerta da Interpol. A advogada afirmou que Allan e Ágatha não constavam na Difusão Amarela nem na Difusão Azul da organização, apesar de informações anteriores indicarem, segundo ela, que os nomes teriam sido inseridos nesses mecanismos.
A defesa também questiona o momento em que o material genético de Clarice foi coletado. Nathaly afirmou que o procedimento só teria sido realizado posteriormente, durante a articulação com a Polícia Federal, para permitir a comparação com o DNA de uma criança localizada nos Estados Unidos. A PF informou que a amostra seria encaminhada ao Instituto Nacional de Criminalística, em Brasília (DF), para elaboração do perfil genético e posterior comparação.
O contraponto entre as versões passou a fazer parte das cobranças da defesa, que afirma ter buscado acesso aos autos para verificar diretamente quais providências foram adotadas pelas forças de segurança desde o desaparecimento dos irmãos.
Reação da mãe
Nathaly afirmou que Clarice já vinha enfrentando dificuldades para dormir e se alimentar desde que chegou à capital maranhense. Segundo a advogada, ela tem vomitado após as refeições, sente dores no estômago e apresenta tremores diante de ligações e contatos de diferentes autoridades.
De acordo com Nathaly, o conteúdo dos autos também provocou novos questionamentos da mãe sobre a condução das buscas. A advogada afirmou que Clarice acreditava que havia uma mobilização contínua para localizar os filhos e que ficou abalada ao se deparar com informações que, na avaliação da defesa, não correspondiam ao que vinha sendo informado à família.
