*Da Redação Dia a Dia Notícia
Duas décadas após a criação da Lei Maria da Penha, a violência contra a mulher ainda aparece como um dos desafios sociais do país. Segundo dados da pesquisa “20 anos da Lei Maria da Penha: percepção da sociedade brasileira”, realizada pelo Instituto Patrícia Galvão e pelo Instituto Locomotiva, 54% das brasileiras que já se relacionaram com homens afirmam ter sofrido algum tipo de violência praticada por parceiros ou ex-parceiros. O levantamento aponta ainda que apenas 11% dos homens reconhecem ter cometido as agressões.
O levantamento revelou que a violência psicológica é a forma mais relatada pelas mulheres, mencionada por 42% das entrevistadas. Na sequência aparecem a violência física (25%), moral (19%), sexual (10%) e patrimonial (9%), modalidades previstas pela Lei Maria da Penha.
Entre as situações apontadas pelas brasileiras, parceiros ou ex-parceiros aparecem como os principais autores das agressões, citados por 88% das entrevistadas. Familiares ou parentes próximos foram mencionados por 33%, enquanto pessoas conhecidas representam 29% dos casos percebidos.
A pesquisa também mostra que o medo de denunciar é um dos principais fatores que dificultam o enfrentamento da violência. Para 68% das mulheres, o receio de represálias ou da falta de proteção impede que muitas vítimas procurem ajuda. A impunidade dos agressores (56%) e a demora da Justiça (39%) também aparecem entre os obstáculos mais citados.
Apesar dos desafios, a maioria das entrevistadas reconhece avanços trazidos pela lei. Sete em cada dez mulheres afirmam que a legislação tem impacto real na vida das vítimas, enquanto 54% dizem se sentir mais protegidas com a existência da norma.
O estudo ouviu 1.500 pessoas com 16 anos ou mais, de todas as regiões do Brasil, entre os dias 22 e 30 de abril de 2026, por meio de entrevistas digitais de autopreenchimento. A margem de erro é de 2,8 pontos percentuais.
