Manaus, terça-feira 21 de abril de 2026
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Rifa de carro de piloto Mika mobiliza fãs e mantém vivo legado do automobilismo no Amazonas

Foto: Audrey Bezerra / Dia a Dia Notícia

*Audrey Bezerra – Da Redação Dia a Dia Notícia 

A história de um dos nomes mais conhecidos das corridas de arrancada no Amazonas segue ganhando novos capítulos, mesmo após sua partida. Em homenagem ao piloto Osmar Celestino Matos Trindade, o “Mika”, que faleceu aos 67 anos, a esposa dele, a chefe de cozinha Elis Trindade, lançou uma rifa do carro utilizado nas competições, como forma de preservar a memória e a trajetória do marido nas pistas.

O veículo, um modelo de 1995 conhecido como “Hulk – Uma Lenda”, é símbolo da carreira construída por Mika ao longo de décadas no automobilismo. A rifa custa R$ 50, e o vencedor, além do carro, também receberá R$ 300 via Pix. O sorteio será realizado no dia 3 de junho de 2026, às 19h, no Amazonas Dragway, localizado no km 5,5, em Iranduba. Informações e compra de bilhetes podem ser feitas pelo número (92) 99436-3649.

Mika morreu no dia 10 de março deste ano, após um afogamento ocorrido na região de Manaquiri, a cerca de 165 quilômetros de Manaus. De acordo com informações preliminares, a embarcação em que ele estava começou a encher de água e afundou. Os ocupantes tentaram nadar até a margem, mas o piloto teria se cansado durante o trajeto e não conseguiu chegar à beira.

Reconhecido como uma figura histórica das corridas de arrancada no estado, Mika marcou gerações de pilotos e entusiastas. Ele era presença constante nas pistas desde o período das disputas no Distrito Industrial, contribuindo diretamente para o fortalecimento da modalidade no Amazonas. Além de piloto, também atuava como mecânico e preparador, sendo admirado pela dedicação e conhecimento técnico na preparação de carros de alta performance.

Trajetória de Mika

A esposa do piloto contou ao Dia a Dia Notícia que a trajetória do marido no automobilismo começou ainda quando ele mantinha uma oficina no bairro do Japim, em Manaus. Segundo ela, naquele período, as corridas aconteciam de forma informal, em vias públicas da cidade.

Elis relatou que Mika foi um dos responsáveis por incentivar a mudança desse cenário, atuando diretamente na transição das corridas de rua para um ambiente legalizado e mais seguro.

“Ele sempre teve essa preocupação de tirar os jovens da rua, do perigo, e levar para um lugar seguro, como a pista”, destacou.

De acordo com ela, Mika teve papel fundamental ao incentivar outros nomes do meio a investirem em uma estrutura adequada para o esporte, o que contribuiu para a criação e fortalecimento das competições em pista, como as realizadas em Iranduba.

Elis também ressaltou que, mais do que competir, o marido era conhecido por seu papel como incentivador dentro da comunidade.

Para ele, o importante era estar presente, participar, incentivar. Nem sempre era sobre ganhar, mas sobre estar junto com todos”, afirmou.

Ela descreveu Mika como uma pessoa de personalidade forte, sincera e muito querida no meio da arrancada, sendo frequentemente procurado para opinar sobre o esporte.

Além da paixão pelas corridas, Elis contou que Mika tinha outros interesses que marcavam sua personalidade.

“Ele amava correr, mas também gostava de pescar, jogar futebol e cantar bolero. Ele era muito alegre, fazia amizade fácil e gostava de reunir as pessoas”, lembrou.

Ao falar sobre o momento da perda, Elis revelou que a família enfrentava dificuldades financeiras e não tinha condições de arcar com os custos do velório. Segundo ela, a resposta da comunidade da arrancada foi imediata e decisiva.

“Eu não tinha condições de custear nada naquele momento. E a turma da arrancada simplesmente abraçou tudo. Eles fizeram uma cota e pagaram tudo, do começo ao fim”, relatou.

Elis contou que amigos próximos e parceiros de pista de Mika estiveram à frente da mobilização, reunindo esforços para garantir que todas as despesas fossem cobertas.

“Juliano, Luciano, o pessoal mais próximo dele, todo mundo se envolveu. Foi algo muito rápido, muito verdadeiro”, disse.

Ela também destacou que o apoio não se limitou apenas aos pilotos, mas envolveu patrocinadores e outros grupos de convivência do marido.

“Teve gente que patrocinava ele, pessoal de pet shop, da Birmarques, amigos do futebol… foi muita gente ajudando. Não foi só a arrancada, foi todo mundo que gostava dele”, afirmou.

Além do suporte financeiro, Elis ressaltou o acolhimento emocional recebido pela família durante o período de luto.

“Foi um companheirismo que eu nunca vou esquecer. Eles não deixaram a gente sozinho em nenhum momento”, declarou.

Há menos de dois anos, Elis contou que ela e o marido também perderam um filho.

“Meu filho também amava essas corridas. Ele morreu de acidente de moto. Para mim não está sendo nada fácil. Também perdi meu pai. Foram três perdas na minha vida”, desabafou.

Segundo Elis, o legado de Mika vai além das pistas, sendo lembrado principalmente pela contribuição na construção de um ambiente mais seguro e unido para o esporte em Manaus.

Ele deixa um legado de amizade, de incentivo e de amor pelo esporte”, concluiu.

A morte gerou grande comoção entre familiares, amigos e integrantes da comunidade automobilística, que prestaram diversas homenagens nas redes sociais, destacando sua importância para o esporte.

Com a iniciativa, Elis Trindade transforma a lembrança do marido em um gesto de continuidade. A rifa do carro não apenas simboliza uma despedida, mas também mantém viva a história de Mika, que segue acelerando na memória dos apaixonados por velocidade no Amazonas.

Leia mais: Piloto veterano das pistas, Mika morre aos 65 anos em Manaquiri (AM) 

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