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Projeto de arquiteta graduada na USP propõe conjuntos habitacionais de palafitas no Igarapé do 40

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*Alice Almeida – Redação Dia a Dia Notícia

A mais de 2.600 quilômetros de Manaus, a egressa do curso da Faculdade de Arquitetura e Urbanismo da Universidade de São Paulo (FAUUSP), Danielle Khoury, enxergou na beleza das palafitas amazônicas uma oportunidade de estudá-las com aprofundamento e produzir o que viria a ser o seu Trabalho Final de Graduação (TFG), propondo uma alternativa inovadora – premiada internacionalmente – para esse tipo de habitação.

O projeto intitulado “Sobre as águas da Amazônia: habitação e cultura ribeirinha”, apresentado por Danielle em 2019, foi feito com a intenção de desenhar um conjunto habitacional que levasse em consideração a cultura e a paisagem local, às margens do Igarapé do 40, na zona Sul de Manaus.

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Ao Dia a Dia Notícia, Danielle contou que compreender as particularidades climáticas e culturais da região amazônica foi o seu principal desafio para desenvolver o projeto a distância, na capital de São Paulo. A adaptação para o período de cheias e vazantes, por exemplo, foi um dos fatores levados em consideração pela arquiteta na construção do projeto.

blank“Os níveis dos rios da Bacia Amazônica variam ao longo das estações e, portanto, a estrutura do edifício precisa se adaptar a essas mudanças. Isso foi feito elevando o conjunto do solo, em referência à popular palafita. É criado também um piso flutuante, que varia de acordo com os períodos de cheias e vazantes. Essa técnica é comum nas casas flutuantes da região, permitindo um diálogo contínuo com a paisagem local”, explica.

O projeto também propõe unir ao espaço das moradias outros serviços essenciais para a comunidade, como unidades de comércio, centros sociais e áreas de lazer, com a intenção de promover geração de renda e uma melhor qualidade de vida.

“Como resultado, um senso de comunidade é criado e fortalecido. O acesso a essas atividades é destinado não apenas aos moradores do conjunto, mas também às comunidades do entorno. Assim, o complexo gera uma microeconomia local e um polo cultural para a região”, afirma.

Ao contrário dos conjuntos habitacionais oferecidos atualmente aos moradores da periferia de Manaus, o projeto de Danielle utiliza o conceito de arquitetura vernacular, que tem como princípios a tradição e a contextualização, ou seja, que valorizam a história das construções feitas pelas gerações passadas e respeitam o meio ambiente onde estão inseridas.

“É preciso remover populações que vivem em situações precárias e de risco. Porém, os novos projetos habitacionais destinados a essas comunidades precisam levar em conta as particularidades da cultura e do modo de vida dos novos moradores. O contrário disso resulta em uma grande falha na função do arquiteto e na função da habitação. A arquitetura vernacular tem um forte vínculo com a região, com a identidade cultural dos povos e dos sistemas construtivos que sustentam a vida. É parte da nossa memória, nossa cultura, nosso território”, pontua.

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Por meio de inserções ao longo do seu trabalho, Danielle demonstra a atenção dedicada para a cultura dos amazonenses. Trechos do poeta Thiago de Mello foram utilizados pela arquiteta para traduzir a visão dos moradores locais, além de recortes de jornais antigos e fotografias mais contemporâneas. “Consultei acervos de Institutos e museus, como o Instituto Durango Duarte, o Instituto Moreira Salles e o Museu da Casa Brasileira, assim como imagens de fotógrafos que retratam diferentes visões sobre o cotidiano e as moradias da Amazônia”, diz.

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Unindo cultura, história e inovação, a arquiteta conquistou prêmios internacionais e amplo reconhecimento pelo seu trabalho. Para a surpresa de Danielle, o projeto foi destaque no maior site de arquitetura do mundo, o Archdaily, e foi publicado no livro World Arch-student Best Project Selection Book (Livro de Seleção de Melhores Projetos Mundiais de Estudantes de Arquitetura, em tradução livre), da editora sul-coreana Archiworld Magazine.

Entre as premiações, recebeu os primeiros lugares no IE Architecture and Design Prize, em Madrid, Espanha, e no 1° Prêmio ENANPARQ-Brasília, da Associação Nacional de Pesquisa e Pós-graduação em Arquitetura e Urbanismo. Além disso, foi ainda premiado no concurso ARCHI NOW – Sustainability First Steppers Contest, promovido pela Chorus Architecture de Yaoundé, em Camarões.

Com tamanha visibilidade, a arquiteta planeja eventualmente vir até Manaus para colocar em prática as suas ideias. “Um dos meus planos é dar continuidade à pesquisa sobre a produção de habitação social em comunidades amazônicas, buscando formas de colocar em prática soluções para o desenvolvimento de comunidades mais sustentáveis, resilientes e saudáveis”, conclui.

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