*Da Redação Dia a Dia Notícia
O pedreiro Edilson Takahara chamou atenção durante uma sessão da 2ª Turma Recursal do Tribunal Regional do Trabalho da 11ª Região (TRT-11) ao realizar a própria sustentação oral em um processo trabalhista. Utilizando o chamado ‘jus postulandi’, direito que permite às partes atuar sem advogado na Justiça do Trabalho, ele contestou a alegação da ex-empregadora de que teria trabalhado como autônomo e foi elogiado pelo relator, juiz Sandro Nahmias Melo.
Durante a sustentação, Takahara detalhou a rotina na obra de um edifício de 15 andares, citado no processo como Condomínio Piaza. Ao contestar a versão de que atuava como autônomo, ele questionou como seria possível realizar sozinho atividades que dependiam de equipamentos e da estrutura da obra.
“Onde que alguém já viu um pedreiro subindo num balancinho, acessando as partes mais altas de um prédio, autônomo sozinho? Como é que você abastece o balancinho? Como é que você desce do balancinho?”, disse.
Ele também citou a presença de encarregados e os treinamentos de segurança para o uso de cordas e trava-quedas como parte da rotina de trabalho. Para Takahara, esses elementos demonstravam que havia uma relação de subordinação e não apenas uma prestação de serviço autônoma.
Ao falar sobre a decisão de fazer a própria defesa, o pedreiro contou que precisou vencer o medo de se manifestar perante os magistrados.
“Tive que me esforçar para vencer essa barreira de criar coragem de vir até aqui mesmo com todo mundo dizendo: ‘Olha, não adianta, você não vai saber falar’”, relatou.
A atuação chamou a atenção do relator, juiz convocado Sandro Nahmias Melo, que parabenizou Takahara e sugeriu que ele considerasse seguir carreira na área jurídica.
“Nesse tempo em que se aplicou ao estudo para vir fazer sustentação, com certeza já pensou em mudar de profissão. Quem sabe não pode ser uma?”, afirmou.
Na sequência, o magistrado voltou a elogiar a argumentação apresentada pelo pedreiro e fez uma comparação com as sustentações realizadas por outros advogados que passam pela Turma.
“A lógica de argumentos acabou sendo melhor do que muitas sustentações que essa turma tem ouvido de doutos patronos”, declarou.
