A Polícia Federal divulgou, nesta quinta-feira, dia 16, um balanço das ações de combate ao garimpo ilegal no Amazonas, com a apreensão e inutilização de 36 estruturas utilizadas na atividade criminosa. Entre os equipamentos destruídos estão 18 dragas, 12 rebocadores e seis balsas.
A ofensiva faz parte de uma série de ações realizadas no estado, que já resultaram na destruição de 375 estruturas ligadas ao garimpo ilegal e prejuízo estimado em mais de R$ 1 bilhão às organizações criminosas.
O avanço dessas operações ocorre em um cenário de crescente atuação de facções no garimpo ilegal. De acordo com o estudo ‘Cartografias da Violência na Amazônia 2025′, do Fórum Brasileiro de Segurança Pública, grupos como o Comando Vermelho e o Primeiro Comando da Capital passaram a explorar crimes ambientais como fonte estratégica de financiamento, lavagem de dinheiro e expansão territorial.
O levantamento aponta que, ao menos, três municípios amazonenses, como Humaitá, Lábrea e Manicoré, já registram a presença dessas organizações com foco em atividades ilegais relacionadas ao meio ambiente.
Especialistas indicam que o garimpo ilegal tem sido utilizado como base logística para o narcotráfico e esconderijo de foragidos da Justiça. Nesse modelo, considerado “híbrido”, rotas e estruturas são compartilhadas para o transporte de drogas, ouro, madeira e armas.
Ainda segundo investigações, o ouro extraído ilegalmente passou a ser utilizado como moeda de troca por facções criminosas na aquisição de pasta-base de cocaína em países vizinhos, como Peru e Colômbia, fortalecendo a conexão entre o garimpo ilegal e o narcotráfico internacional.