Manaus, sábado 28 de março de 2026
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ONU reconhece tráfico de escravizados como maior crime contra a humanidade

Foto: Reprodução - Revista Raça/Internet

*Da Redação Dia a Dia Notícia 

A Organização das Nações Unidas (ONU) aprovou nesta semana uma resolução que reconhece o tráfico transatlântico de africanos escravizados como o mais grave crime contra a humanidade já cometido. O texto contou com o apoio da maioria dos estados-membros, incluindo o Brasil, que também copatrocinou a proposta, enquanto Argentina, Estados Unidos e Israel votaram contra.

O texto foi aprovado durante sessão especial na Assembleia Geral, por ampla maioria, com 123 países votando a favor. Três delegações se posicionaram contra, enquanto 52 países optaram pela abstenção, entre eles Reino Unido, Portugal e Espanha.

Durante o debate, o embaixador dos EUA, Dan Negrea, afirmou que o país rejeita o que classificou como “uso político de injustiças históricas”, defendendo que reparações não devem ser direcionadas a populações atuais sem ligação direta com os fatos históricos.

Objeções e detalhes da resolução

Já o presidente de Gana, John Dramani Mahama, criticou a posição dos países que se opuseram ao texto e afirmou que há uma tentativa de minimizar ou apagar o impacto histórico da escravidão africana. Gana foi o principal articulador da resolução, defendendo que as consequências desse período ainda são perceptíveis nas desigualdades raciais contemporâneas.

O secretário-geral da ONU, António Guterres, destacou que a comunidade internacional precisa adotar medidas mais firmes para enfrentar heranças históricas de injustiça, enquanto especialistas apontam o avanço político da pauta dentro da organização.

A resolução é de caráter não vinculante, e incentiva que os países abram canais de diálogo sobre medidas reparatórias, incluindo pedidos formais de desculpas, devolução de patrimônios culturais, compensações financeiras e políticas de prevenção contra a repetição de violações históricas.

Apesar do avanço diplomático, o tema segue cercado de divergências, pois parte dos países ocidentais afirma que a discussão pode gerar difíceis disputas políticas e jurídicas, enquanto governos africanos e caribenhos defendem que o reconhecimento formal da ONU é um passo necessário para a construção de mecanismos de justiça histórica no mundo.

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