*Da Redação Dia a Dia Notícia
Um aplicativo desenvolvido com uso de Inteligência Artificial passou a permitir a consulta de antecedentes criminais e processos judiciais a partir de dados públicos, com a proposta de ampliar a segurança de mulheres antes de encontros. A ferramenta, chamada Puft.ai, busca facilitar o acesso a informações que possam auxiliar na tomada de decisões e na prevenção de situações de risco. O lançamento ocorre em meio ao aumento dos casos de feminicídio no Brasil, que registrou 1.568 mulheres assassinadas em 2025, segundo dados do Fórum Brasileiro de Segurança Pública.
O número representa um aumento de 4,7% em relação ao ano anterior. O cenário alarmante, segundo os criadores da plataforma, é o principal motivador do desenvolvimento e a busca pelo tipo de serviço.
Como usar
Para usar, basta inserir o nome completo ou CPF. Em seguida, o sistema cruza dados e apresenta um relatório com informações como processos judiciais, passagens policiais e vínculos empresariais.
Segundo os responsáveis, a empresa respeita restrições legais de acesso à informação. Por exemplo, processos que tramitam sob sigilo judicial não aparecem no sistema, justamente por não serem públicos. Da mesma forma, informações indisponíveis em bases públicas ou legalmente restritas não são exibidas.
“Não há impedimento legal na divulgação das informações disponibilizadas pela plataforma, uma vez que os dados exibidos são oriundos de fontes públicas ou de acesso permitido por lei, já disponíveis em diferentes bases e registros acessíveis na internet e em órgãos oficiais. O diferencial da plataforma está justamente na organização e centralização dessas informações, facilitando a consulta pelo usuário”, explicou Gianluca Ferro, idealizador do aplicativo.
Proteção de dados
Para alguns especialistas, a divulgação dos dados pode infringir a Lei Geral de Proteção de Dados (LGDP). “Esse tipo de aplicativo não tem uma finalidade jornalística, nem acadêmica, e não possui fins exclusivamente particulares”, afirmou o membro da Comissão de Direitos Humanos da OAB SP e ex-secretário do Ministério de Direitos Humanos, Ariel de Castro Alves.
