Mauro Campbell se emociona ao se despedir da Corregedoria Nacional de Justiça em Manaus
Foto: Reprodução
*Da Redação Dia a Dia Notícia
O ministro Mauro Campbell Marques se emocionou durante a solenidade que marcou sua despedida da Corregedoria Nacional de Justiça, na noite dessa quarta-feira, 12, no Teatro Amazonas, em Manaus. Homenageado pela cúpula do Judiciário brasileiro, o ministro apresentou um balanço dos dois anos de gestão e destacou o impacto pessoal da função, afirmando que “há um preço pessoal” que muitas vezes é pago silenciosamente pelas famílias. Campbell deixará a Corregedoria para assumir a Vice-Presidência do Superior Tribunal de Justiça (STJ) no próximo dia 19 de agosto.
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“Há um preço pessoal que quase nunca aparece nos relatórios, nas estatísticas e nos atos administrativos. Mas ele existe, é real e muitas vezes é pago silenciosamente por nossas famílias”, Campbell afirmou, emocionado.
Durante a conferência, Campbell defendeu uma maior integração entre os tribunais brasileiros. Para explicar a ideia, utilizou a imagem de um arquipélago que precisa se reconhecer como um continente.
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Segundo o ministro, a Justiça deve preservar as particularidades e a autonomia de cada tribunal, mas também precisa adotar respostas comuns para problemas que atingem todo o país.
“O Judiciário brasileiro é um arquipélago que precisa progressivamente reconhecer-se como continente”, resumiu.
Campbell destacou ainda que as políticas formuladas pelo Conselho Nacional de Justiça (CNJ) dependem da atuação dos tribunais, magistrados e servidores nos estados para serem efetivamente colocadas em prática.
Entre os resultados apresentados pelo ministro estão 27 inspeções realizadas pela Corregedoria Nacional de Justiça em diferentes regiões do país durante sua gestão.
Campbell afirmou que a fiscalização não deve se limitar à identificação de irregularidades, mas também servir para compreender as particularidades de cada região e contribuir para o aperfeiçoamento das instituições.
O combate ao nepotismo também foi apontado como uma das prioridades da gestão.
“Combater o nepotismo não é perseguir pessoas, é proteger instituições”, declarou.
Registro Civil e regularização fundiária
Campbell também destacou ações voltadas à cidadania e à documentação da população.
Entre elas está a Semana Nacional do Registro Civil, que, segundo os dados apresentados, recebeu mais de 225 mil solicitações de certidões e possibilitou a emissão de aproximadamente 120 mil documentos na mobilização deste ano.
O ministro também citou o programa Solo Seguro, voltado à regularização fundiária, e iniciativas de modernização dos registros públicos.
Para Campbell, os resultados dessas ações devem ser avaliados não apenas pelos números, mas pelo impacto na vida das pessoas que passaram a ter documentação, segurança jurídica e acesso a direitos.
Análise de cerca de 300 mil planilhas
Outro desafio mencionado durante o balanço foi a criação de critérios nacionais relacionados às remunerações e aos passivos funcionais da magistratura.
A equipe da Corregedoria analisou aproximadamente 300 mil planilhas envolvendo magistrados da ativa, aposentados e pensionistas.
Campbell defendeu a adoção de critérios comuns entre os tribunais, ressaltando que a padronização não significa retirar a autonomia das cortes.
“Enquanto cada tribunal está olhando para sua própria realidade, nós estamos olhando para todos os tribunais brasileiros ao mesmo tempo”, afirmou.
O ministro citou ainda medidas como o contracheque único e a padronização das análises como instrumentos para ampliar a transparência e a segurança jurídica.
Homenagem do Tribunal de Justiça do Amazonas
Durante a solenidade, o corregedor-geral de Justiça do Amazonas, desembargador José Hamilton Saraiva dos Santos, fez um discurso em homenagem à trajetória de Campbell.
Saraiva destacou a atuação do ministro no Ministério Público do Amazonas, onde ingressou como promotor de Justiça em 1988, e sua passagem por cargos no Executivo estadual.
O desembargador também ressaltou a trajetória de Campbell no Judiciário e sua chegada ao Superior Tribunal de Justiça como primeiro amazonense a ocupar uma cadeira na Corte.
“Vê-lo sendo o primeiro amazonense a galgar assento no Superior Tribunal de Justiça ressoou como um eco da sua dedicação à vida pública e nos deu a certeza de que, a partir de então, o Amazonas e todo o seu povo passariam a ter voz no debate jurídico de nosso país”, afirmou Saraiva.
Próximo desafio será no STJ
O futuro presidente do STJ, ministro Luis Felipe Salomão, participou da homenagem por meio de uma mensagem em vídeo.
Ao final da conferência, Campbell voltou a se emocionar e afirmou que, apesar de atos administrativos, números e gestões serem passageiros, os vínculos construídos permanecem.
“Levo sobretudo as pessoas, porque, no fim de uma gestão, são as pessoas que permanecem na memória”, declarou.
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A solenidade contou com a presença de autoridades dos Poderes Executivo, Legislativo e Judiciário do Amazonas, além de ministros, conselheiros do CNJ, presidentes de tribunais, magistrados e representantes de instituições do sistema de Justiça. Entre os presentes estavam o governador Roberto Cidade(UB), o presidente da Assembleia Legislativa do Amazonas, Adjuto Afonso (UB), e o prefeito de Manaus, Renato Junior (Avante).
Nota
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