*Da Redação Dia a Dia Notícia
Manaus registrou, em 2025, 351 casos de sífilis congênita em crianças menores de um ano, segundo dados divulgados na terça-feira, 05, pelo Comitê Municipal de Prevenção da Transmissão Vertical, ligado à Secretaria Municipal de Saúde (Semsa). Os números reforçam a preocupação com o diagnóstico tardio da doença durante a gestação e a necessidade de ampliar o acesso ao tratamento adequado.
A sífilis congênita, transmitida da mãe para o bebê durante a gestação ou o parto, segue como um desafio para a saúde pública em na capital amazonense. Apenas em 2025, foram contabilizados 351 casos da doença em crianças menores de um ano, além de 66 novos registros já identificados neste ano.
A infecção é causada pela bactéria Treponema pallidum e, apesar de ter tratamento e cura, pode evoluir de forma grave quando não diagnosticada ou tratada corretamente durante o pré-natal. Sem o acompanhamento adequado, a doença pode provocar aborto, natimorto, parto prematuro e até morte neonatal, além de sequelas como cegueira, surdez, alterações ósseas e deficiência intelectual.
Dados do Boletim Epidemiológico Especial da Sífilis do Município de Manaus (2026) mostram que, entre 2020 e 2025, foram registrados 1.926 casos de sífilis congênita na capital. Só no último ano, os 351 registros indicam a manutenção dos índices em relação ao período anterior.
De acordo com a enfermeira Ylara Costa, a prevenção está diretamente ligada ao diagnóstico precoce e ao tratamento correto das gestantes.
“É considerado como tratamento adequado da gestante com sífilis o uso de benzilpenicilina benzatina iniciado até 30 dias antes do parto, com esquema completo conforme o estágio da infecção. Em 2025, 90,5% das mães de crianças notificadas apresentaram tratamento inadequado ou não realizado”, explicou.
Outro ponto de atenção é o momento em que a doença é identificada. Entre os casos analisados, 38,7% das gestantes receberam o diagnóstico durante o pré-natal, enquanto 55,5% só descobriram a infecção no momento do parto ou em procedimentos como curetagem. Já 4,6% tiveram diagnóstico após o parto, e em 1,2% dos casos essa informação não foi registrada.
Para Ylara, esses dados evidenciam falhas no acompanhamento.
“Mesmo com a realização do pré-natal por muitas gestantes, o diagnóstico não ocorre em tempo oportuno na maioria dos casos que evoluem para sífilis congênita”, destacou.
A recomendação da rede de saúde é que a testagem seja feita em pelo menos quatro momentos: na primeira consulta do pré-natal, preferencialmente ainda no primeiro trimestre, além do segundo e terceiro trimestres e também no momento do parto ou em situações de aborto.
No recorte geral, Manaus registrou 11.098 casos de sífilis em gestantes entre 2020 e 2025. Apenas no último ano, foram 2.341 notificações, um aumento de 30% em relação a 2024. A maioria dos diagnósticos ocorreu tardiamente, com 28,7% identificados no terceiro trimestre, 24,3% no segundo e 23% no primeiro trimestre.
Segundo a especialista, o diagnóstico tardio compromete diretamente a prevenção da transmissão para o bebê.
“O ideal é que a identificação da sífilis ocorra ainda no primeiro trimestre, permitindo o início imediato do tratamento e reduzindo significativamente os riscos”, afirmou.
Sífilis adquirida
Além da forma congênita, os dados também apontam números elevados de sífilis adquirida, que atinge pessoas a partir dos 13 anos, exceto gestantes. Entre 2020 e 2025, foram registrados 21.069 casos em Manaus, sendo 3.654 apenas em 2025. No recorte por sexo, os homens concentraram 63,7% das ocorrências no último ano.
Ações de prevenção
Para conter o avanço da doença, a Semsa mantém estratégias voltadas ao diagnóstico precoce, tratamento e prevenção. Entre as ações estão a oferta de testes rápidos em todas as unidades de Atenção Primária à Saúde, rastreamento durante o pré-natal, campanhas educativas e distribuição de preservativos em unidades de saúde e ações comunitárias.
