*Da Redação Dia a Dia Notícia
Um lutador de jiu-jítsu de Londrina, no Paraná, ficou com os movimentos comprometidos após sofrer um golpe considerado proibido durante o campeonato Super Pro Jiu-Jítsu, realizado no domingo, 23. O caso chegou ao Ministério Público do Paraná (MP-PR), que apresentou uma notícia-crime e solicitou à Polícia Civil a abertura de um inquérito para investigar a conduta do atleta Juliano Di Pelli Machado.
A vítima, Willian Hiroyuki Masuda, conhecido como “Kabuto”, permanece internada em uma Unidade de Terapia Intensiva (UTI) após sofrer uma grave lesão cervical e passar por cirurgia.
Imagens da luta exibidas pelo programa Cidade Alerta, da Record, mostram o momento em que Willian é levantado por Juliano e fica de cabeça para baixo. Na sequência, o adversário projeta o próprio corpo sobre ele.
O movimento, conhecido como “bate-estaca”, é proibido pelas regras do jiu-jitsu. O árbitro interrompeu o combate logo depois da ação. Nas imagens, Willian tenta se levantar, mas não consegue.
Um profissional ouvido pelo programa explicou os riscos envolvidos na movimentação.
“Essa movimentação é totalmente errada e põe o teu adversário em muito risco. Ele está totalmente vulnerável com as costas, cabeça para baixo.”
Segundo informações divulgadas sobre o caso, a vítima sofreu uma lesão grave na região cervical e precisou ser submetida a procedimento cirúrgico. O estado de saúde é considerado grave.
O promotor Renato de Lima Castro, que também é faixa-preta de jiu-jitsu e acompanhava a competição, criticou a ação registrada durante a luta.
“Ele se projetou com todo o peso de 120 quilos sobre uma estrutura humana que estava com a cabeça fincada no chão, só com o pescoço dele. Ele deve ser responsabilizado”, afirmou.
Organização diz que prestou atendimento
A organização do Super Pro Jiu-Jitsu informou à rádio CBN que Willian recebeu atendimento médico imediatamente após o ocorrido. Segundo os responsáveis, o campeonato contava com ambulância e equipe de socorro, e o lutador foi encaminhado para avaliação especializada.
Em nota, o evento classificou o episódio como “um incidente fora do comum” e afirmou que acompanha o estado do atleta junto à família, além de colaborar com as autoridades responsáveis pela investigação.
A Fundação de Esportes de Londrina, responsável pelo Ginásio Moringão, onde o campeonato foi realizado, também lamentou o ocorrido e esclareceu que não participou da organização da competição.
Defesa de Juliano se manifesta
A defesa de Juliano Di Pelli Machado afirmou que o atleta está “profundamente abalado” com o estado de saúde de Willian e que permanece à disposição das autoridades.
Os advogados defenderam que o episódio seja analisado a partir das imagens completas da luta, das regras da modalidade e da avaliação da arbitragem.
A defesa também afirmou que Juliano é atleta profissional, medalhista em competições europeias e mundiais, e que não possui histórico de punições disciplinares ou de conduta antidesportiva.
Os representantes do lutador disseram ainda que só devem apresentar novos esclarecimentos após a análise técnica do caso pelas autoridades e pelas entidades esportivas.
