*Da Redação Dia a Dia Notícia
Após retomar, em ano eleitoral, as obras de recuperação de um trecho da BR-319, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) criou, nessa terça-feira, 08, quatro Reservas de Desenvolvimento Sustentável (RDS) que ampliam em 667 mil hectares a área de proteção ambiental na região de influência da rodovia, no Amazonas. A medida busca conter impactos ambientais associados à estrada, que atravessa o Sul do estado, região marcada pelos altos índices de queimadas e desmatamento. A criação das reservas ocorreu em cerimônia no Palácio do Planalto, em referência ao Dia da Amazônia, celebrado em 05 de setembro.
As quatro novas áreas de proteção ambiental na região da BR-319 são:
– RDS Tupana Igapó-Açu I (Borba, AM), com 114.076 hectares;
– RDS Tupana Igapó-Açu II (Beruri e Tapauá, AM), com 422.100 hectares;
– RDS Canaã (Careiro e Autazes, AM), com 109.607 hectares;
– RDS Mirari (Humaitá, AM), com 22.775 hectares, com foco na proteção de ambientes florestais e aquáticos.
Em comunicado à imprensa, o governo afirmou que “as reservas protegem a biodiversidade e os modos de vida agroextrativistas das populações locais, em categoria de unidade de conservação que admite o uso sustentável dos recursos pelos moradores”.
Em maio, o governo federal lançou em Manaus um conjunto de ações para reduzir os efeitos da BR-319 sobre a floresta e as comunidades do entorno. O plano prevê expandir as áreas protegidas de 85 mil para 121 mil quilômetros quadrados e ampliar os territórios indígenas homologados de 27 mil para 50 mil quilômetros quadrados.
Também estão previstas a construção de três portais de fiscalização em Humaitá, Manicoré e Careiro e a instalação de uma base integrada em Humaitá, com atuação conjunta de Polícia Federal, Polícia Rodoviária Federal, Ibama, Funai e ICMBio.
O governo se comprometeu ainda a revisar milhares de registros do Cadastro Ambiental Rural (CAR) e avançar na regularização fundiária. Segundo o Ministério do Meio Ambiente, mais de 20 mil cadastros passarão por análise.
Um estudo publicado em 2025 no Observatório da Economia Latinoamericana aponta que, entre 2012 e 2023, o desmatamento na área de influência da rodovia aumentou significativamente, atingindo 1.818,47 km², dos quais 88,7% ocorreram no Sul do Amazonas.
Além disso, a pesquisa indica que 68,9% dos casos estão diretamente relacionados à influência da BR-319. O estudo também identificou um padrão contínuo de conversão da floresta em áreas agrícolas, especialmente nos municípios de Porto Velho, Canutama e Humaitá.
O impacto da estrada também é sentido pelas populações indígenas que vivem na região. Segundo a Coordenação das Organizações Indígenas da Amazônia Brasileira (Coiab), existem 69 terras indígenas na região de influência da BR-319, sendo apenas parte delas demarcadas pelo governo.
