*Da Redação Dia a Dia Notícia
A Justiça Federal aceitou o novo pedido feito pela Polícia Federal (PF) e decretou, nesta quinta-feira, 23, a prisão preventiva dos cantores Mc Ryan SP, Mc Poze do Rodo, o criador da Choquei, Raphael Sousa Oliveira, e de outros 33 investigados por envolvimento em um esquema bilionário de lavagem de dinheiro e uso de redes sociais para mascarar o lucro do crime organizado.
A decisão foi tomada após novo pedido da Polícia Federal, em reação à ordem do ministro Messod Azulay Neto, do Superior Tribunal de Justiça (STJ), que havia concedido habeas corpus e revogado as prisões temporárias dos suspeitos.
O magistrado afirmou que a nova medida não afronta o entendimento do STJ, já que se baseia em fundamentos distintos. Segundo ele, a prisão preventiva se mostra necessária porque a fase de investigação ainda não foi concluída e a liberdade dos investigados representa risco concreto de continuidade das atividades ilícitas.
Para o juiz, há indícios de que a associação criminosa investigada tem estrutura suficiente para se reorganizar rapidamente e manter a operação em funcionamento, o que justificaria a adoção da medida mais dura para preservar a ordem pública e a instrução do processo.
O ministro Messod Azulay Neto havia apontado irregularidade no prazo das prisões temporárias. Segundo ele, enquanto a Polícia Federal pediu detenções por cinco dias, a decisão judicial autorizou 30 dias. Na avaliação do ministro, não havia justificativa para manter os investigados presos por período superior ao solicitado pelos próprios investigadores.
Mesmo assim, o delegado da PF Gustavo Pachioni Martins, responsável pela apuração, argumentou que a investigação segue em andamento, com produção de provas ainda em curso, e que não é possível concluir neste momento e que todos os elementos necessários para esclarecer o caso já foram reunidos.
Ao justificar a preventiva, o juiz afirmou que a medida é necessária e proporcional para garantir a completa elucidação dos fatos, impedir a retomada das práticas investigadas e assegurar a responsabilização dos envolvidos. Segundo ele, medidas cautelares alternativas seriam insuficientes diante dos riscos concretos à instrução e à ordem pública.
A decisão também destaca o papel atribuído pela PF a MC Ryan SP no suposto esquema. Segundo o magistrado, a investigação identificou uma estrutura complexa voltada à lavagem de capitais oriundos de rifas clandestinas, jogos de azar não regulamentados e tráfico de drogas. No centro dessa organização, diz a decisão, estaria Ryan Santana dos Santos, o MC Ryan SP, apontado pela autoridade policial como beneficiário final do esquema.
A Operação Narco Fluxo foi deflagrada na quarta-feira, 15, para desarticular um grupo suspeito de movimentar R$ 1,6 bilhão do PCC. As apurações, derivadas da Operação Narco Vela, indicam o uso de plataformas de apostas de quota fixa, as chamadas bets, para lavar dinheiro de origem ilícita, inclusive recursos ligados ao tráfico internacional de drogas.
