*Da Redação Dia a Dia Notícia
O português de 58 anos, que publicou um vídeo nas redes sociais oferecendo “500 euros” por cada “cabeça de brasileiro”, pediu desculpas, nessa quarta-feira (3). Ele admitiu que se excedeu nas declarações e afirmou estar ciente da gravidade do que disse.
Em entrevista ao programa Casa Feliz, da emissora portuguesa SIC, João Oliveira, de 58 anos, afirmou que publicou o polêmico vídeo nas redes sociais em um momento de “raiva”. Na gravação, ele oferecia 500 euros por cada “cabeça de brasileiro”.
Segundo João, a motivação do desabafo foi o furto de seu celular, que, segundo ele, teria sido cometido por um homem de nacionalidade brasileira.
“Coloquei aquele vídeo, porque estava com muita raiva de um brasileiro. Há três dias, tinham me furtado um telemóvel no valor de 1.200 euros, e foi um brasileiro. Não devia ter feito aquele vídeo”, explicou.
O português contou ainda que o caso do furto já foi resolvido e que o aparelho foi devolvido pelo suposto autor.
“Fui longe demais, reconheço isso e peço desculpa. Por uns pagam os outros”, acrescentou.
Desde que o vídeo começou a circular nas redes sociais, João disse que tem recebido ameaças de morte. Apesar disso, ele afirmou não temer pela própria segurança.
“Dizem que vão fazer tudo e mais alguma coisa comigo. Não tenho medo porque estou no meu país. Foi um vídeo infeliz, feito num momento de raiva. Estou a retratar-me agora, mas as ameaças continuam”, relatou.
João revelou ainda ser casado com uma mulher brasileira e que já viveu no Brasil, onde trabalhou por quatro anos, reforçando que não costuma incentivar discursos de ódio.
Durante a entrevista, veio à tona outro detalhe: João havia sido demitido da Padaria Variante, em Aveiro, no dia 15 de julho, ou seja, antes da publicação do vídeo.
O proprietário do estabelecimento, Alberto Fonseca, também falou ao programa e explicou que a demissão ocorreu por comportamentos impróprios com colegas estrangeiros, ainda durante o período experimental de trabalho.
“Foram atitudes que a empresa não permite, mas não com a gravidade do vídeo. A decisão foi tomada antes mesmo da polêmica ganhar repercussão”, afirmou.
O empresário lamentou que o nome da padaria tenha sido envolvido no caso, destacando que a equipe conta com dois brasileiros, três santomenses e dois venezuelanos.
“João trabalhou connosco pouco mais de uma semana. Infelizmente, a empresa e os funcionários acabaram envolvidos nesta situação apenas por ele ter sido nosso colaborador por um curto período”, disse.
Fonseca revelou ainda que a Guarda Nacional Republicana (GNR) esteve no local para recolher informações e que a padaria está colaborando com as autoridades durante as investigações.
João Oliveira poderá responder pelo crime de incitamento ao ódio, previsto na legislação portuguesa, que prevê pena de seis meses a cinco anos de prisão.
Apesar de já ter sido procurado pelas autoridades, João disse não saber quais medidas poderão ser tomadas contra ele:
“Não sei o que vai acontecer. Não sou da Justiça”, limitou-se a declarar.
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