Manaus, segunda-feira 19 de janeiro de 2026
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Guerra na Ucrânia: mulher afirma que sofreu abuso sexual após soldados russos matarem seu marido

Foto: Reprodução/Revista Veja

*Da Redação Dia a Dia Notícia 

Em um bairro tranquilo e rural, localizado 70 quilômetros a oeste de Kiev, uma mulher de 50 anos, que teve seu nome alterado para Anna para proteger sua identidade, foi entrevistada pela BBC que encontrou evidências de mulheres ucranianas que foram abusadas sexualmente por soldados invasores.

Anna relatou que no dia 7 de março, ela estava em casa com o marido quando um soldado estrangeiro entrou no local.

“Com uma arma, ele me levou para uma casa próxima. E me ordenou: ‘Tire sua roupa ou eu atiro em você.’ Ele continuou ameaçando me matar se eu não fizesse o que ele falava. Então ele começou a me estuprar”, disse ela.

Anna descreveu seu agressor como um jovem e magro combatente checheno aliado a Rússia.

“Enquanto ele estava me estuprando, mais quatro soldados entraram. Achei que era o meu fim. Mas eles o levaram embora. Nunca mais o vi”, disse ela, que acredita que foi salva por uma unidade separada de soldados russos.

Anna voltou para casa e encontrou seu marido. Ele tinha sido baleado no abdômen.

“Ele tentou correr atrás de mim para me salvar, mas foi atingido por uma rajada de balas”, disse ela. Ambos procuraram abrigo na casa de um vizinho. Eles não puderam levar o homem baleado para o hospital por causa da intensa guerra. Ele morreu por conta dos ferimentos dois dias depois.

Foto: Reprodução/BBC News

Anna não parava de chorar enquanto contava sua história a BBC. Ela mostrou onde ela e os vizinhos enterraram o marido, no quintal da casa dela. Uma cruz alta de madeira fica na cabeceira da sepultura. Anna disse que está em contato com o hospital local e recebe apoio psicológico.

Os soldados que a salvaram ficaram na casa dela por alguns dias. Ela diz que eles apontavam a arma para ela e pediam que ela entregasse os pertences do marido.

“Quando eles foram embora, encontrei drogas e Viagra. Eles se drogavam e muitas vezes estavam bêbados. A maioria deles são assassinos, estupradores e saqueadores. Apenas alguns são ok”, disse ela.

Na estrada para a casa de Anna, a BBC ouviu outra história. Uma mulher teria sido violentada sexualmente e morta. Vizinhos dizem que o crime foi cometido pelo mesmo homem que violentou Anna, antes de ir para a casa dela.

A mulher tinha cerca de 40 anos. Ela foi retirada de casa, dizem vizinhos, e mantida no quarto de uma casa próxima cujos ocupantes haviam evacuado quando a guerra começou. O quarto bem decorado, com papel de parede ornamentado e uma cama com cabeceira dourada se tornou uma cena de crime perturbadora. Com grandes manchas de sangue no colchão e edredom.

A ombudsman de direitos humanos da Ucrânia, Lyudmyla Denisova, diz que está documentando vários desses casos.

“Cerca de 25 meninas e mulheres de 14 a 24 anos foram sistematicamente estupradas durante a ocupação, no porão de uma casa em Bucha. Nove delas estão grávidas”, disse ela. “Soldados russos disseram que eles iriam estuprá-las a ponto de não quererem contato sexual com nenhum homem, para impedi-las de terem filhos ucranianos.”

Ela conta que estão recebendo várias ligações nas linhas de apoio – e também recebendo informações por meio de canais no aplicativo de mensagens Telegram.

“Uma mulher de 25 anos ligou para nos dizer que a irmã dela, de 16 anos, foi estuprada na rua, na frente dela. Ela disse que os criminosos estavam gritando ‘Isso vai acontecer com todas as prostitutas nazistas’ enquanto estupravam a irmã dela”, disse Denisova.

Perguntamos se era possível avaliar a escala dos crimes sexuais cometidos pelas tropas russas durante a ocupação.

“É impossível no momento porque nem todas estão dispostas a nos contar o que aconteceu. A maioria delas atualmente pede apoio psicológico, então não podemos registrar esses crimes a menos que elas nos deem seu depoimento”, disse Denisova.

Ela diz que a Ucrânia quer que um tribunal especial seja criado pelas Nações Unidas para julgar Vladimir Putin pessoalmente por alegações de crimes de guerra, incluindo estupro.

“Quero perguntar a Putin, por que isso está acontecendo?” disse Anna, a mulher que nos contou que foi estuprada. “Eu não entendo. Não estamos vivendo na Idade da Pedra. Por que ele não pode negociar? Por que ele está invadindo e matando?”

*Com informações da BBC News Brasil 

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