*Da Redação Dia a Dia Notícia
A polícia dos Estados Unidos confirmou que os irmãos Ágatha Isabelly, de 6 anos, e Allan Michael, de 4, desaparecidos desde janeiro em Bacabal, no Maranhão, não estão entre os 163 menores localizados na Flórida durante a Operação Statewide Shield. A informação foi repassada à Polícia Federal (PF) nessa quarta-feira, 09, após a família identificar semelhanças entre Allan e uma das crianças resgatadas.
“Segundo informações das autoridades norte-americanas, nenhuma criança brasileira está entre as 163 pessoas localizadas recentemente nos Estados Unidos no âmbito da Operação Statewide Shield”, informou a Polícia Federal em nota.
Também nesta quarta-feira, a PF recebeu a solicitação para incluir Ágatha e Allan na Difusão Amarela da Interpol, mecanismo utilizado para auxiliar na localização de pessoas desaparecidas, inclusive quando há possibilidade de que estejam fora do país.
O pedido foi feito pela mãe das crianças, Clarice Cardoso, acompanhada da advogada da família, Nathaly Moraes.
A solicitação será analisada pela Polícia Federal e, posteriormente, encaminhada à Interpol. Conforme a PF, caberá ao órgão internacional avaliar as informações apresentadas e decidir sobre a publicação do alerta e o compartilhamento dos dados com os países integrantes da organização.
A Interpol também ofereceu apoio às buscas. O Núcleo de Cooperação Internacional da PF disponibilizou à família ferramentas de cooperação internacional que podem ser utilizadas para tentar localizar os irmãos em outros países e, caso sejam encontrados, auxiliar no processo de repatriação.
Desaparecimento completa oito meses
Ágatha e Allan desapareceram em 4 de janeiro de 2026, na comunidade quilombola São Sebastião dos Pretos, na zona rural de Bacabal, a aproximadamente 250 quilômetros de São Luís.
Na ocasião, os irmãos estavam acompanhados do primo Wanderson Kauã, de 8 anos. O menino foi localizado com vida três dias depois, em 7 de janeiro.
Durante as primeiras buscas, o então secretário de Segurança Pública do Maranhão, Maurício Martins, informou que Kauã havia reconhecido uma casa abandonada conhecida como “casa caída”. Segundo o relato, as três crianças teriam passado pelo menos uma noite no local.
Cães farejadores também indicaram a presença das crianças nas proximidades. Na época, Kauã teria negado a presença de outras pessoas durante o trajeto que levou o grupo até a área de mata.
As autoridades mantiveram diferentes linhas de investigação e ampliaram as buscas para além da área inicialmente delimitada. Equipes realizaram operações terrestres e aquáticas, incluindo buscas em rios e lagos, além do uso de helicópteros e drones.
Participaram da força-tarefa agentes da Polícia Civil, Polícia Militar, Corpo de Bombeiros, Força Estadual Integrada de Segurança Pública, Exército Brasileiro e Batalhão Ambiental do Maranhão. Uma recompensa também foi oferecida por informações que levassem à localização dos irmãos.
Cerca de 2 mil pessoas participaram das buscas
De acordo com a Secretaria de Segurança Pública do Maranhão, cerca de 2 mil pessoas participaram das buscas ao longo do período. As investigações continuam, mas detalhes do caso estão protegidos por segredo de Justiça.
O desaparecimento também mobilizou parlamentares. Em maio, integrantes da Comissão Externa sobre Prevenção e Enfrentamento à Violência Sexual Infanto-Juvenil estiveram na comunidade para ouvir a mãe das crianças e acompanhar as autoridades responsáveis pela investigação.
A Secretaria de Segurança Pública reforçou que informações não confirmadas podem prejudicar o trabalho das autoridades e aumentar o sofrimento da família.
Como denunciar
Informações que possam ajudar a localizar Ágatha e Allan podem ser comunicadas pelo 190, da Polícia Militar, ou pelo 181, do Disque-Denúncia. Não é necessário se identificar.
