*Da Redação Dia a Dia Notícia
Os impactos da severa estiagem que atinge o estado do Amazonas continuam a prejudicar o transporte fluvial e a logística de suprimentos no interior. Na madrugada de domingo, 11, um barco que fazia a linha entre Manaus e Maués encalhou por volta das 02h30 no trecho do Paraná do Ramos, uma das principais vias de navegação da região do Baixo Amazonas.
A navegação no local se tornou extremamente delicada devido ao estreitamento e à baixa profundidade do canal do rio, exigindo que os comandantes naveguem a poucos metros do barranco para evitar bancos de areia.
O repórter Eglison Pereira, do Conexão Maués, que acompanhava a viagem a bordo da embarcação, relatou as dificuldades enfrentadas pelos passageiros e tripulantes durante a madrugada e alertou para os riscos de paralisação do trecho:
“Nós estamos encalhados aqui desde as 2h30, 3h da manhã, tentando sair aqui do Paraná do Ramos. O canal dessa parte do rio é bem rente à margem. Só quando o barco consegue chegar aqui, ele consegue andar. Devido às secas que vêm assolando, principalmente a parte do Baixo Amazonas, isso infelizmente é comum de acontecer”, explicou o repórter.
Caso os níveis do rio continuem baixando nos próximos dias, a navegação pelo Paraná do Ramos poderá ser completamente suspensa. Com isso, os barcos que atendem municípios como Maués e Boa Vista do Ramos terão que alterar suas rotas, passando por Parintins, uma viagem significativamente mais longa e demorada.
Segundo Eglison, a mudança obrigatória de rota traz consequências diretas para a economia dos municípios afetados. Aumento no consumo de combustível e no tempo de deslocamento encarecem o frete de alimentos, medicamentos e insumos essenciais.
“Se secar mais um pouco essa parte aqui, infelizmente não vai dar para fazer o tráfego hidroviário. As rotas de Maués e Boa Vista do Ramos terão que ser por Parintins, que é um percurso bem maior e fica bem mais distante para chegar a Manaus. O que isso acarreta? Cargas mais caras, e o consumidor final geralmente é o que mais vai pagar a conta disso. A gente espera que as chuvas comecem logo a vir para que esse problema não venha a acalmar ou prejudicar a nossa cidade”, concluiu.
Enquanto as chuvas não se regularizam na bacia amazônica, moradores e comerciantes da região seguem apreensivos com os custos e os atrasos na chegada de mantimentos.
