*Da Redação Dia a Dia Notícia
Publicado em abril deste ano na revista científica ‘Proceedings of the National Academy of Sciences (PNAS)’, um estudo de pesquisadores da Universidade da Califórnia em Los Angeles (UCLA) apresentou um exame de sangue que analisa fragmentos de DNA liberados na corrente sanguínea e pode identificar diferentes tipos de câncer a partir de uma única amostra, além de indicar o órgão onde o tumor começou.
Como funciona
Em vez de procurar apenas mutações genéticas, o exame analisa alterações químicas no DNA, chamadas de metilação. Essas marcas podem indicar mudanças na saúde dos tecidos e ajudar a identificar sinais de doenças em diferentes órgãos.
Nos testes com 1.061 pessoas, a tecnologia identificou 63% dos tumores. Nos casos de câncer de fígado, pulmão, ovário e estômago em estágio inicial, a taxa de acerto ficou em torno de 55%.
O método também apresentou resultados na análise de doenças do fígado e do pulmão. Em determinados testes, conseguiu diferenciar hepatites virais de doenças metabólicas com 85% de precisão.
Um dos desafios é que entre 80% e 90% do DNA encontrado no sangue vem de células sanguíneas saudáveis. Esse material cria um “ruído” que pode dificultar a identificação de fragmentos relacionados a tumores.
Para reduzir essa interferência, os pesquisadores utilizaram enzimas que retiram parte do DNA das células sanguíneas normais. Com isso, a análise passou a se concentrar nos tecidos de interesse, reduzindo o custo estimado do teste para menos de US$ 20, cerca de R$ 102.
Apesar dos resultados iniciais, o exame ainda está em fase de pesquisa e precisa passar por novas etapas de validação antes de ser utilizado na prática clínica. A proposta é contribuir para a identificação de doenças em estágios mais precoces, quando as possibilidades de tratamento costumam ser maiores.
