*Da Redação Dia a Dia Notícia
Entre o fim dos anos 1980 e a década de 1990, eleitores brasileiros encontravam o logotipo da cerveja Antarctica nas cabines usadas para registrar o voto. A prática, registrada em fotografias da época, ocorreu durante a retomada das eleições diretas no país e faz parte de um período em que empresas privadas participavam da estrutura dos locais de votação, antes de a Justiça Eleitoral impor restrições à presença de marcas comerciais nesses lugares.
Em 1989, o país voltou a eleger um presidente pelo voto direto, após quase três décadas sem eleições populares para o cargo. Na disputa, Fernando Collor de Mello venceu Luiz Inácio Lula da Silva no segundo turno.
Na época, empresas privadas chegaram a fornecer estruturas utilizadas durante a votação, por conta de desafios ainda enfrentados de organização dos pleitos. Foi nesse contexto que a marca de cerveja Antarctica passou a aparecer nas cabines, como mostram fotografias de eleições realizadas entre o fim dos anos 1980 e a década de 1990.
Com o passar dos anos, a possibilidade de patrocinar materiais eleitorais também foi discutida pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE). Em 2003, a Corte rejeitou uma proposta de patrocínio privado para cabines de votação e formulários de justificativa eleitoral. Em 2008, o assunto voltou a ser analisado, mantendo-se o entendimento contrário à exposição de marcas comerciais nesses materiais.

A posição reforçou a separação entre os interesses de empresas privadas e os espaços destinados ao processo eleitoral. Atualmente, as cabines são utilizadas para garantir o sigilo da escolha dos eleitores.
