*Da Redação Dia a Dia Notícia
Aeronaves do Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama) lançaram mais de 10 mil litros de água sobre áreas atingidas por incêndios na Região Metropolitana de Manaus, nessa segunda-feira, 12. A operação integra uma força-tarefa do governo federal para combater as queimadas no Amazonas, que registrou 1.380 focos de incêndio nos dez primeiros dias de outubro, aumento de 271% em relação ao mesmo período de 2025.
Segundo o Ibama, 11 aeronaves foram mobilizadas para reforçar as operações no estado. A estrutura inclui seis aviões Air Tractor, um cargueiro KC-390 da Força Aérea Brasileira (FAB), três helicópteros e um avião Caravan.
Cada aeronave desempenha uma função específica no combate aos incêndios. Os aviões Air Tractor lançam água diretamente sobre as áreas atingidas, enquanto o KC-390 é utilizado para despejar grandes volumes de água. Os helicópteros transportam brigadistas e equipamentos, e o Caravan auxilia na logística das equipes.
Até a tarde de segunda-feira, as equipes haviam acumulado 67,2 horas de voo. A operação prevê atuação em diferentes regiões do estado, incluindo Manaus, Autazes, Itacoatiara e Parintins. Também está prevista a estruturação de uma base de apoio aéreo em Itacoatiara.
Avião da FAB realiza operações na região de Parintins
O cargueiro KC-390 Millennium também participou das ações na segunda-feira, com três voos na região do Baixo Amazonas, nas proximidades de Parintins.
Para esta terça-feira, 13, a previsão é de mais três operações da aeronave: uma em Parintins e duas em Itacoatiara. O avião é equipado com o Sistema Modular Aerotransportado de Combate a Incêndios (MAFFS), que permite transportar e lançar grandes volumes de água ou líquido retardante de chamas.
Apesar da mobilização, as condições de visibilidade prejudicaram as operações aéreas na segunda-feira. De acordo com o Ibama, a fumaça intensa impediu o voo da maior parte das aeronaves. Além do KC-390, apenas três helicópteros conseguiram operar, prestando apoio logístico às equipes em solo.
Governo federal identifica focos em áreas de floresta preservada
A mobilização começou no domingo, 11, após o agravamento das queimadas no estado. Na mesma data, uma comitiva do governo federal sobrevoou áreas afetadas para avaliar a situação.
Após a inspeção, o ministro do Meio Ambiente e Mudança do Clima, João Paulo Capobianco, afirmou que encontrou focos de incêndio em áreas de floresta preservada, inclusive em locais de difícil acesso.
“Eu diria, mais grave do que eu imaginava depois de fazer o sobrevoo, porque nós identificamos muitos focos de incêndio no meio da floresta preservada”, declarou.
Segundo o ministro, a presença de focos em áreas preservadas pode indicar ação humana intencional para degradar a floresta e preparar terrenos para futuros desmatamentos. Diante do cenário, ele pediu que o governo do Amazonas mobilize a Polícia Militar para atuar com o Corpo de Bombeiros no combate aos incêndios e na identificação dos responsáveis.
Do total deste ano, 1.186 focos foram identificados em áreas públicas, 93 em propriedades privadas e 101 em locais com situação fundiária indefinida.
Também foram registrados 246 focos em áreas de assentamentos federais, 116 em terras indígenas e 97 em unidades de conservação.
Fumaça mantém qualidade do ar como preocupação em Manaus
A fumaça das queimadas continuou afetando a qualidade do ar na capital amazonense nesta terça-feira, 13. Segundo a plataforma internacional IQAir, Manaus apresentou melhora em relação ao dia anterior, mas ainda registrava níveis elevados de poluição.
Por volta das 5h30, o Índice de Qualidade do Ar (AQI⁺) estava em 92, classificação considerada moderada. A concentração de partículas finas PM2.5 chegou a 31 microgramas por metro cúbico (µg/m³), aproximadamente 6,3 vezes o limite anual recomendado pela Organização Mundial da Saúde (OMS).
Nessa segunda-feira, 12, por volta das 6h, o índice havia alcançado 195, considerado insalubre, com concentração de PM2.5 de 123 µg/m³.
Dados do Sistema Eletrônico de Vigilância Ambiental (Selva), da Universidade do Estado do Amazonas (UEA), também apontaram diferenças entre os bairros monitorados. Na manhã de terça-feira, a concentração de partículas poluentes chegou a 41,7 µg/m³ no Parque 10, 51,2 µg/m³ no Puraquequara e 88,8 µg/m³ no Coroado, índice classificado como muito ruim.
Uma chuva registrada por volta de 1h30 atingiu bairros como Compensa, Lírio do Vale, Alvorada e Tarumã. Apesar da melhora nos indicadores em relação à segunda-feira, a fumaça permanecia como um problema na capital.
