Manaus, quarta-feira 20 de maio de 2026
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Arthur Virgílio Neto deixa o PSDB do AM após 33 anos no comando; senador Plínio Valério assume a sigla

Atual senador Plínio Valério é o novo presidente provisório do partido no Amazonas

*Da Redação do Dia a Dia Notícia

O ex-prefeito de Manaus, Arthur Virgílio Neto anunciou, na noite dessa quinta-feira, dia 17, a sua saída da presidência do diretório regional do Partido da Social Democracia Brasileira (PSDB) por meio das redes sociais após 33 anos de filiação. A decisão acontece horas depois de o presidente nacional do PSDB, Bruno Araújo, retirar o ex-prefeito de Manaus e nomear o senador Plínio Valério para comandar a legenda no Amazonas.

A destituição do comando da sigla no Amazonas acontece após a derrota de Arthur Neto na última eleição para o Senado, quando ficou em terceiro lugar.

Fundador histórico do PSDB no Amazonas, Arthur Neto desejou êxito para nova direção, mas não sinalizou qual será seu futuro político. A decisão  da titulação do novo mandatário foi publicada nesta sexta-feira (18), e é assinada pelo presidente nacional do PSDB, Bruno Araújo.

Ainda na despedida, Arthur deu um recado ao presidente Bruno Araújo e falou sobre a atual situação do grupo.

Confira o post no Twitter:

No Instagram, o ex-prefeito de Manaus falou do período no qual liderou os tucanos no Estado e falou sobre sua trajetória política como representante político. Ele ainda citou o poeta Ronaldo Cunha Lima, “em política, ninguém mata, ninguém morre”.

Veja o texto na íntegra:

“Presidente Bruno Araújo,

Fiquei feliz e aliviado quando soube, pelo meu filho e só por ele, da decisão do PSDB de entregar o comando regional do Amazonas a um grupo de pessoas às quais desejo felicidades, êxitos, distância da corrupção e independência em relação a certos partidos e certos políticos.

Fico feliz, porque me machucava bastante o coração ver aquele que já foi o melhor – e de mais significativo legado – partido da história republicana brasileira se descaracterizar e se ir transformando numa agremiação parecida com tantas outras, filhas da mesmice, da irrelevância e da mediocridade.

Minha lealdade e senso de responsabilidade me impediram, durante um bom tempo, de abandonar o partido que, incontestável e efetivamente, ajudei a construir.

Obrigado, portanto, por me propiciar a oportunidade de sair, de cabeça erguida e aliviado da carga que já não me agradava carregar.

Fiz parte da 1ª Executiva Provisória do MDB, no Rio de Janeiro, por indicação da liderança estudantil, para confrontar o adesista governador Chagas Freitas e não permitir que o partido de oposição à ditadura fosse dominado pelos que tinham apego mórbido a cargos e vantagens públicos.

Daí em diante foi uma sequência de missões que, inapelavelmente, me levavam a lutar com muita força pelo restabelecimento do regime democrático.

Conquistada a democracia, muitas lutas passaram a ser motivo de vida para meu cérebro e meu coração.

Fui deputado federal e senador por 20 anos, duas vezes líder congressual do presidente-estadista Fernando Henrique Cardoso, que me conferiu a honra de poder colaborar com o Brasil na condição de Ministro-Chefe da Secretaria-Geral da Presidência da República.

Como senador, liderei a brilhante, influente e numerosa bancada de senadores tucanos, atuando na trilha de uma oposição dura e sensata ao presidente Lula da Silva. Capitaneamos a derrubada do imposto injusto, que cobrava a mesma alíquota de ricos e pobres: a prejudicial CPMF. E mostramos ao presidente reeleito que, com aquela bancada respeitável a vigiá-lo, ele jamais conseguiria o que era, na verdade, o “venezuelano” terceiro mandato.

Muito bem, prezado presidente Bruno. Agradeço seu gesto. Essencial para entender a índole daqueles que hoje dirigem um partido decadente, que já foi o mais respeitado no país, com reflexos mais que positivos no exterior. Mas volto a agradecer sua atitude, para mim uma alforria, uma libertação. O futuro a Deus pertence. E como bem dizia o poeta Ronaldo Cunha Lima, “em política, ninguém mata, ninguém morre”.

Há futuro pela frente e, para mim, nem posso dizer se, um dia, me filiarei a algum outro partido. Meu coração diz que não; vamos ver a mensagem do cérebro.

Comunico-lhe, enfim, minha desfiliação do partido que recebeu quase 35 anos da modesta contribuição que eu e minhas limitações lhe poderiam emprestar”.

Fundador histórico

Arthur Neto é um diplomata, sociólogo e político. Foi ministro-chefe da Secretaria-Geral da Presidência da República durante o Governo FHC, senador e deputado federal pelo Amazonas, e prefeito de Manaus por três mandatos. Na juventude foi militante do PCB. Posteriormente foi filiado ao PMDB, PSB. E por último ao PSDB, partido do qual foi um dos fundadores.

Nota

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