Manaus, sexta-feira 17 de abril de 2026
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Após constatar irregularidades, governo Lula decide romper contrato com ONG ligada a dirigente do PT no Amazonas

*Da Redação Dia a Dia Notícia 

O governo federal decidiu encerrar os convênios firmados com o Instituto de Articulação de Juventude da Amazônia (Iaja), fundado por Anne Moura, atual secretária nacional de Mulheres do PT. A medida, revelada pelo jornal Estadão, nesta sexta-feira (19), foi tomada após relatório do Ministério do Trabalho e Emprego (MTE) apontar irregularidades financeiras na aplicação de recursos públicos em projetos de capacitação em Manaus.

De acordoo com a auditoria, do total de R$ 1,2 milhão previsto, cerca de R$ 600 mil foram repassados para a organização.

Conforme o Estadão, 97% desse valor foi utilizado de forma antecipada, sem comprovação adequada das atividades. O documento também destaca falhas como a ausência de cotação de preços e recomenda a devolução de aproximadamente R$ 584 mil, além de abrir caminho para o cancelamento definitivo do acordo.

Candidata à vereadora em Manaus, Anne recebeu R$ 428,4 mil do PT, mas acabou derrotada nas urnas, obtendo 2.399 votos. Em uma reunião gravada em setembro de 2023 com Marcos Rodrigues, então chefe do comitê no estado, ela cobrou mais articulação da pasta para que as atividades da pasta beneficiassem aliados políticos.

Na conversa, a dirigente partidária admitiu que a escolha do Iaja ocorreu por sua influência: “Eu quero que você fale para eles lá, porque as pessoas estão o tempo todo dizendo que não foi [por minha indicação]”. Anne relatou ainda que levou suas queixas diretamente a representantes diretos do Ministério da Cultura do Governo Lula.

“Quando fui lá no MinC, da última vez, o pessoal me perguntou: ‘Anne, o comitê tá te ajudando?’ Eu disse: não, Roberta [Martins – secretária do Programa Nacional de Comitês de Cultura], não tá. Ela estava na sede do PT e perguntou: ‘o comitê tá te ajudando? Porque nos outros lugares está tudo ajudando”, afirmou Moura.

Ainda segundo o Estadão, apesar de manter influência sobre a entidade e ter indicado os ex e os atuais dirigentes da ONG, o parecer técnico do ministério do Trabalho poupou Anne Moura porque ela não fazia parte dos quadros da entidade formalmente. A dirigente já negou qualquer irregularidade e afirma ser vítima de perseguição.

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