Manaus, sábado 21 de fevereiro de 2026
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Após 31 dias de protesto, Indígenas ocupam escritório de Cardgill em Santarém (PA)

Foto: Reprodução/Coletiva Apoena

*Da Redação Dia a Dia Notícia 

Indígenas das regiões do baixo, médio e alto Tapajós invadiram, na madrugada deste sábado, 21, o terminal da multinacional do agronegócio (Cargill), no complexo portuário de Santarém, no Oeste do Pará. O grupo mantém há 31 dias o bloqueio do acesso de veículos à área portuária como forma de protesto. A mobilização se intensificou por conta da falta de retorno do governo federal em relação à revogação do decreto que inclui trechos do Rio Madeira, Tapajós e Tocantins no Programa Nacional de Desestatização (PND).

De acordo com os manifestantes, a decisão de ocupar o terminal também foi motivada por uma ordem judicial de desocupação da área onde o protesto vinha sendo realizado. A notificação, que estipula prazo de 48 horas para saída, foi entregue por oficial de Justiça às 8h de sexta-feira, dia 20 de fevereiro.

Em carta aberta, o Conselho Indígena Tapajós Arapiuns (CITA) afirmou que a medida foi construída coletivamente e classificada como pacífica.

Nossa decisão não foi impulsiva nem violenta. Foi construída a partir da escuta dos mais velhos, de análises jurídicas e políticas e da indignação diante do Decreto nº 12.600”, diz trecho do documento.

A entidade sustenta que aguardou por 30 dias uma resposta oficial da Presidência da República, da Casa Civil e do Ministério dos Transportes sobre os impactos do decreto nos territórios indígenas e comunidades tradicionais afetadas pelo chamado Arco Norte.

Em rede social, a liderança indígena Olisil Oliveira declarou que a ocupação ocorreu sem agressões aos trabalhadores e que o grupo permanecerá no local até que o decreto seja revogado.

Imagens do circuito interno da empresa mostram atos de vandalismo, incluindo a quebra de câmeras de segurança durante a invasão. Na quinta-feira, dia 19, indígenas já haviam realizado outro ato no porto, utilizando embarcações para interceptar uma balsa e estender faixas pedindo a revogação do decreto e a defesa do Rio Tapajós. Segundo os manifestantes, o objetivo é chamar atenção para os impactos da transformação dos rios amazônicos em corredores de exportação.

Plano de emergência Cardgill

Em nota, a Cargill informou que também registrou, na noite de sexta-feira, 20, uma ação contra seu escritório central em São Paulo, onde a fachada do prédio foi vandalizada. Sobre Santarém, a empresa afirmou que acionou imediatamente seu plano de emergência, abrigando funcionários em local seguro até a evacuação. O terminal segue ocupado, com indícios de depredação de equipamentos, e as operações estão integralmente interrompidas.

A empresa declarou ainda que respeita o direito à manifestação, mas que não tem ingerência sobre a pauta apresentada pelos indígenas e informou que mantém contato com as autoridades para que a desocupação ocorra de forma segura.

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