De acordo com os manifestantes, a decisão de ocupar o terminal também foi motivada por uma ordem judicial de desocupação da área onde o protesto vinha sendo realizado. A notificação, que estipula prazo de 48 horas para saída, foi entregue por oficial de Justiça às 8h de sexta-feira, dia 20 de fevereiro.
Em carta aberta, o Conselho Indígena Tapajós Arapiuns (CITA) afirmou que a medida foi construída coletivamente e classificada como pacífica.
“Nossa decisão não foi impulsiva nem violenta. Foi construída a partir da escuta dos mais velhos, de análises jurídicas e políticas e da indignação diante do Decreto nº 12.600”, diz trecho do documento.
A entidade sustenta que aguardou por 30 dias uma resposta oficial da Presidência da República, da Casa Civil e do Ministério dos Transportes sobre os impactos do decreto nos territórios indígenas e comunidades tradicionais afetadas pelo chamado Arco Norte.
Em rede social, a liderança indígena Olisil Oliveira declarou que a ocupação ocorreu sem agressões aos trabalhadores e que o grupo permanecerá no local até que o decreto seja revogado.
Imagens do circuito interno da empresa mostram atos de vandalismo, incluindo a quebra de câmeras de segurança durante a invasão. Na quinta-feira, dia 19, indígenas já haviam realizado outro ato no porto, utilizando embarcações para interceptar uma balsa e estender faixas pedindo a revogação do decreto e a defesa do Rio Tapajós. Segundo os manifestantes, o objetivo é chamar atenção para os impactos da transformação dos rios amazônicos em corredores de exportação.
Plano de emergência Cardgill
Em nota, a Cargill informou que também registrou, na noite de sexta-feira, 20, uma ação contra seu escritório central em São Paulo, onde a fachada do prédio foi vandalizada. Sobre Santarém, a empresa afirmou que acionou imediatamente seu plano de emergência, abrigando funcionários em local seguro até a evacuação. O terminal segue ocupado, com indícios de depredação de equipamentos, e as operações estão integralmente interrompidas.
A empresa declarou ainda que respeita o direito à manifestação, mas que não tem ingerência sobre a pauta apresentada pelos indígenas e informou que mantém contato com as autoridades para que a desocupação ocorra de forma segura.