*Da Redação Dia a Dia Notícia
O Centro de Atenção Integral Juventude TEA, em Manaus, já acompanha 250 adolescentes e contabiliza mais de 20 mil atendimentos e consultas em sete meses de funcionamento. Inaugurada pelo governador Roberto Cidade (UB) em 09 de abril de 2026, a unidade promoveu um show de talentos para apresentar habilidades desenvolvidas pelos jovens durante as terapias, com apresentações musicais que emocionaram familiares.

Localizado no bairro São Geraldo, zona Centro-Sul da capital, o espaço oferece acompanhamento especializado a adolescentes com Transtorno do Espectro Autista (TEA). No palco, cantar, tocar instrumentos e se apresentar diante do público representaram conquistas relacionadas à comunicação, à socialização e à autoconfiança.

Na plateia, familiares acompanharam as apresentações com orgulho e emoção, reconhecendo os avanços alcançados pelos adolescentes ao longo do acompanhamento.
Música e socialização marcam apresentações
Mãe de Ádria Luandra, de 12 anos, Adriana dos Santos contou que a filha tinha dificuldades para interagir e conversar com outras pessoas antes de iniciar as terapias. Desde que começou o acompanhamento na unidade, a adolescente passou a fazer amizades e participar mais das atividades.
Ao ver a filha tocar o instrumento escolhido diante do público, Adriana se emocionou.
“A Ádria antes não socializava com ninguém. Era muito difícil, ela ficava no canto dela. A gente saía e ela não gostava de conversar. Depois que ela começou as terapias, evoluiu bastante, tanto na socialização quanto para conversar e fazer amizades”, relatou.
A mãe também destacou a importância de acompanhar a evolução da filha.
“Para mim, como mãe, me sinto muito orgulhosa e emocionada de ver a minha filha tocando um instrumento que ela escolheu. Para mim foi gratificante”, completou.
Jovem supera timidez e realiza apresentação musical
Outra apresentação que emocionou os familiares foi a de Flávia Raquel, de 14 anos, que cantou diante da plateia. A mãe, Amanda Costa da Silva, de 49 anos, contou que a filha era bastante reservada e costumava passar boa parte do tempo isolada no quarto.
Com o acompanhamento, segundo Amanda, a adolescente passou a interagir mais, se comunicar e participar das atividades escolares.
“Quando ela veio para cá, ela mudou para melhor. Passou a interagir, a se comunicar com o mundo. Era uma criança muito reservada, muito tímida, hoje não. Ela brilha, passou a viver mais”, afirmou.
Amanda contou que sabia dos ensaios realizados em casa, mas não imaginava que a apresentação provocaria tanta emoção.
“Hoje o desempenho dela cantando para mim foi uma surpresa muito grande. Eu deixava ela treinar em casa, dentro do quarto, era o momento dela. Ver o desempenho dela foi maravilhoso, gratificante”, disse.
Para Flávia, subir ao palco também significou enfrentar o medo de errar diante do público. Mesmo com o nervosismo, ela decidiu continuar a apresentação.
“Eu percebi que mudei, vejo que realmente comecei a falar com as pessoas, não ter medo de me expressar, de ser eu mesma. Foi algo gratificante. No palco eu ficava: ‘Meu Deus, se eu errar isso aqui vou passar o maior mico’. Eu errei, mas foi algo incrível”, contou.
Apresentação de Michael Jackson representa avanço
As conquistas também foram celebradas pela família de Asafe, de 14 anos, que participou do show de talentos interpretando Michael Jackson.
A mãe do adolescente, Ione da Silva, de 53 anos, acompanha o desenvolvimento do filho desde o início do atendimento e destacou mudanças percebidas na comunicação e na autonomia.
“Hoje para estarmos aqui, desde maio até outubro, acho que o Asafe já subiu uns três, quatro degraus. Hoje ele já diz ‘bom dia’, já abraça, já pode ir comigo no shopping, já pode ir num mercadinho, comprar um pão sozinho. É uma esperança para as mães atípicas”, declarou.
Como funciona o atendimento no Juventude TEA

O Centro de Atenção Integral Juventude TEA é uma unidade estadual voltada a adolescentes de 12 a 18 anos com Transtorno do Espectro Autista. O atendimento é realizado por uma equipe multiprofissional e busca estimular o desenvolvimento, a autonomia e a inclusão social.
A estrutura conta com espaços destinados às terapias e uma casa funcional para atividades de vida diária (AVD), onde os adolescentes podem praticar tarefas domésticas e o preparo de alimentos. As famílias também recebem acolhimento e orientação durante o acompanhamento.
Segundo o diretor-executivo da unidade, Juliano Botero, o trabalho considera três pilares: os adolescentes atendidos, os profissionais responsáveis pelas terapias e os familiares que participam diretamente do processo.
“A terapia não se resume somente em clínica, ela tem que ser estendida ao contexto do seu domicílio, o convívio diário”, destacou.
A proposta é que as habilidades desenvolvidas durante os atendimentos também sejam aplicadas no cotidiano, contribuindo para a convivência familiar, a independência e a participação dos adolescentes em diferentes ambientes sociais.
