Manaus, quinta-feira 1 de outubro de 2026
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A régua da sustentabilidade nas eleições

Imagem ilustrativa / gerada por IA

Todo candidato a presidente ou a governador é obrigado por lei a apresentar um plano de governo. A exigência está no art. 11, § 1°, IX, da Lei n° 9.504/1997, e os documentos podem ser consultados por qualquer cidadão no sistema DivulgaCandContas, do Tribunal Superior Eleitoral (TSE). A lei, porém, cobra a entrega, não o conteúdo. Entre os 13 presidenciáveis deste ano, o plano mais curto tem 7 páginas, e o mais longo, 200. No domingo, 4 de outubro, 158.745.463 eleitores e eleitoras poderão ir às urnas com esses documentos à disposição. Poucos vão abri-los, e menos ainda saberão o que procurar.

O mundo corporativo já enfrentou um problema parecido e encontrou uma resposta. O ESG, sigla em inglês para as dimensões ambiental, social e de governança, consolidou-se no mercado privado e avança cada vez mais sobre a administração pública. Uma de suas lições centrais é que compromisso sem método não se sustenta.

Durante anos, empresas publicaram promessas vagas, como “reduzir impactos” e “valorizar pessoas”, sem número, prazo ou forma de verificação. O ESG ensinou o mercado a tratar sustentabilidade como planejamento estratégico, orientado por metas. Primeiro vem a linha de base, o ponto de partida medido antes de qualquer ação. Depois vêm uma meta quantificada, um prazo, um indicador de acompanhamento e a divulgação periódica dos resultados. O compromisso que dispensa esses elementos ganhou nome: greenwashing, a maquiagem verde. Na política, a régua é a mesma. Um plano de governo precisa identificar o problema, dizer o que será feito e fixar metas verificáveis.

Há ainda um calendário que torna esta eleição singular. A Agenda 2030 da ONU reúne 17 Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS) e 169 metas. Ao lado do ESG, ela se tornou o principal referencial para conectar proteção à vida, ao meio ambiente e desenvolvimento dos territórios com governança. Quem for eleito agora, presidente e governadores, governará de 2027 a 2030, exatamente a reta final dessa agenda.

A poucos dias do pleito, o eleitor, sobretudo o indeciso, pode trocar a pergunta “esse candidato é bom?” por outras mais diretas e provocativas: “o que exatamente esse candidato se compromete a entregar, até quando, e como vou acompanhar a evolução e saber se entregou?” “Esse projeto cabe no mandato ou depende do próximo governo?”, “Previne ou só reage? A proposta antecipa riscos conhecidos ou espera a crise acontecer?”.

No primeiro ano de mandato, os eleitos enviam ao Legislativo o Plano Plurianual (PPA), que define programas, metas e recursos para os quatro anos seguintes. É ali que a promessa de campanha vira orçamento, ou desaparece sem que ninguém perceba. Comparar o PPA de 2027 com o plano registrado no TSE é um dos exercícios de cidadania mais reveladores que existem.

Nesta eleição, mais do que nunca, vale lembrar: sustentabilidade vem de sustento: garantir o que se precisa hoje sem tirar o que se vai precisar amanhã. Na Amazônia, a ideia não tem nada de abstrata. Ela está no rio que sobe e desce, na bioeconomia e na floresta que gera renda, na infraestrutura e desenvolvimento sustentável tão necessário aos municípios. Por isso a eleição para governo no Amazonas é sim, em sua essência, uma eleição sobre sustentabilidade na máxima amplitude do termo. Ela envolve meio ambiente, pessoas e governança responsável para hoje e amanhã.

Por Elendrea Cavalcante

Jornalista, com especialização em ESG e Sustentabilidade Corporativa e também em Comunicação Empresarial e Marketing. Possui mais de 20 anos de atuação no mercado de Comunicação, com ampla experiência em jornais, agências e setor público. Foi subsecretária de Comunicação do município de Manaus, onde também atuou em outros cargos de gestão. As experiências acumuladas no serviço público e no campo corporativo levaram-lhe à paixão pelo ESG, associando-o à Comunicação.

Nota

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