*Da Redação Dia a Dia Notícia
O Ministério Público de São Paulo (MP-SP) pediu a condenação do empresário e influenciador fitness Renato Cariani por associação para o tráfico de drogas, tráfico de matéria-prima destinada à fabricação de entorpecentes e lavagem de dinheiro. Caso a Justiça acolha integralmente a acusação, as penas podem chegar a 51 anos e 8 meses de prisão. Cariani responde ao processo em liberdade.
Ministério Público também pede condenação de outros dois réus
As alegações finais foram apresentadas pelo MP-SP na quarta-feira, 21. Além de Cariani, a promotoria pediu a condenação de Fábio Spindola Mota e Rodrigo Gomes Pereira pelos mesmos crimes.
Segundo a acusação, os três teriam participado de um esquema de desvio de produtos químicos utilizados na produção de drogas, especialmente cocaína e crack.
Fábio é apontado como responsável pela intermediação do fornecimento das substâncias e pela ligação entre a empresa investigada e compradores ligados ao tráfico. Já Rodrigo teria atuado na movimentação de recursos financeiros, com depósitos em espécie e operações destinadas a dar aparência legal ao dinheiro.
A defesa de Cariani afirmou que o pedido do Ministério Público não representa surpresa e declarou que pretende contestar as acusações durante a fase de alegações finais defensivas.
Pena pode ultrapassar 50 anos de prisão
De acordo com o advogado criminalista Anderson Almeida, caso a Justiça aceite integralmente os pedidos da acusação, cada um dos réus poderá receber penas de 16 anos e 4 meses a 51 anos e 8 meses de prisão, além de multas.
O cálculo considera uma possível condenação por associação para o tráfico, 59 crimes de tráfico de insumos destinados à fabricação de drogas e 59 crimes de lavagem de dinheiro.
A definição da pena dependerá da análise judicial das acusações, das provas e das circunstâncias reconhecidas no processo. Conforme a explicação do especialista, o limite máximo de cumprimento de pena no Brasil é de 40 anos, mesmo quando a soma das condenações ultrapassa esse período.
Investigação começou após denúncia envolvendo produtos químicos
O caso ganhou repercussão com a Operação Hinsberg, deflagrada pela Polícia Federal em dezembro de 2023. A investigação apura suspeitas de desvio de substâncias químicas comercializadas pela Anidrol Produtos para Laboratórios, empresa da qual Cariani era sócio, para a produção de entorpecentes.
Segundo a investigação, a empresa teria simulado vendas de produtos químicos para empresas que não haviam realizado os pedidos. A promotoria afirma que as operações teriam ocorrido 59 vezes.
As apurações tiveram início após a farmacêutica AstraZeneca procurar o Ministério Público, em 2019, para informar que havia notas fiscais emitidas pela Anidrol em 2017 referentes a movimentações de produtos químicos que não reconhecia como próprias.
Entre os episódios citados pelos promotores está uma retirada de produtos químicos registrada em fevereiro de 2018. A acusação sustenta que houve uso de documentos e comprovantes falsos para justificar movimentações das substâncias.
A investigação também aponta possíveis irregularidades em depósitos bancários e na comunicação entre os envolvidos. As alegações integram a acusação apresentada ao Judiciário e ainda dependem de análise no processo criminal.
Ministério Público pede absolvição de duas investigadas
Apesar de pedir a condenação de Cariani, Fábio e Rodrigo, o Grupo de Atuação Especial de Repressão ao Crime Organizado (Gaeco), do Ministério Público paulista, solicitou a absolvição de Roseli Dorth, sócia de Cariani na Anidrol, e Andréia Domingues Ferreira, também citadas durante as investigações.
A solicitação faz parte das alegações finais apresentadas pela promotoria e será analisada pela Justiça.
Defesa afirma confiar na absolvição
Em nota, o advogado Aldo Romani Netto, representante de Renato Cariani, afirmou que a manifestação do Ministério Público corresponde à posição já defendida pela acusação ao longo do processo.
Segundo o defensor, a defesa pretende responder aos argumentos apresentados e demonstrar, com base nas provas produzidas durante a instrução, que as acusações são improcedentes.
A defesa também declarou confiar que o Judiciário realizará um julgamento baseado na análise das provas e afirmou ter convicção de que o influenciador será absolvido.
