*Da Redação Dia a Dia Notícia
A cidade de Manaus registrou 6.177 casos de malária até 23 de outubro de 2026, segundo dados da Secretaria Municipal de Saúde (Semsa). Para facilitar o diagnóstico precoce e o início do tratamento, a secretaria ampliou para 81 o número de unidades municipais que oferecem o serviço nas zonas urbana e rural. A previsão é chegar a 106 estabelecimentos no primeiro semestre de 2027 e estender a oferta a toda a rede municipal até o fim do ano.
A ampliação do serviço é viabilizada principalmente pela disponibilização de testes para malária pelo Ministério da Saúde, tanto os testes rápidos quanto o exame conhecido como gota espessa, utilizado para identificar a presença do parasita causador da doença.
Segundo Viviana Cláudia de Paula Conceição, responsável técnica pelas ações de Vigilância Epidemiológica da Malária da Semsa, a oferta do exame na zona urbana é importante porque os sintomas podem aparecer dias depois de a pessoa ter sido exposta ao mosquito transmissor.
“Apesar da infecção acontecer principalmente na área rural, nos balneários, nos sítios e nas áreas de mata, as pessoas moram na cidade. O período de incubação da malária pode levar vários dias e, quando começam a apresentar sintomas, elas procuram a unidade de saúde mais próxima de casa. Por isso, precisamos oferecer o diagnóstico também na área urbana, para não perder a oportunidade de iniciar o tratamento”, explica.
Além de ampliar a quantidade de unidades, a secretaria trabalha na capacitação das equipes que atuam no serviço, incluindo profissionais da recepção, enfermagem, medicina, farmácia e gestão. A proposta é identificar os casos ainda na atenção primária e evitar que os pacientes precisem recorrer a unidades de urgência devido ao agravamento da doença.
“A nossa meta é que todas as unidades ofereçam o teste e que a pessoa com suspeita de malária possa chegar à unidade e fazer o exame imediatamente. Queremos identificar esses casos na atenção primária, antes que se agravem e as pessoas precisem procurar uma UPA ou um SPA”, destaca Viviana.
Casos de malária em Manaus
Dos 6.177 casos registrados até 23 de outubro de 2026, 62 ocorreram em gestantes, 498 em idosos e 702 em crianças. A maior concentração de registros está no Distrito de Saúde Leste, especialmente nas regiões dos ramais do Brasileirinho e do Puraquequara, onde a expansão da ocupação humana em áreas próximas à mata aumenta a exposição ao mosquito transmissor.
A transmissão também ocorre em regiões rurais e periurbanas das zonas Norte, Leste e Oeste, sobretudo em áreas próximas à floresta e a igarapés. A malária é causada por parasitas do gênero Plasmodium, transmitidos pela picada de fêmeas infectadas de mosquitos do gênero Anopheles, conhecidos popularmente como mosquitos-prego.
Diferentemente do mosquito transmissor da dengue, o Aedes aegypti, o mosquito da malária se desenvolve em ambientes aquáticos associados a áreas naturais e apresenta maior atividade em determinados horários, especialmente no início da manhã e no fim da tarde.
No Amazonas, os casos costumam aumentar durante o verão amazônico, principalmente entre junho e setembro, período em que também cresce a frequência da população a balneários, sítios e outros locais próximos à mata.
Viviana explica que o enfrentamento da doença depende tanto do combate ao mosquito quanto da identificação e do tratamento das pessoas infectadas.
“A gente precisa atuar em duas frentes: no combate ao mosquito e na interrupção da cadeia de transmissão, que acontece por meio do diagnóstico e do tratamento das pessoas infectadas. Quando uma pessoa está com malária e é picada pelo mosquito transmissor, esse mosquito pode se infectar e transmitir a doença para outras pessoas. Por isso, é fundamental identificar e tratar os casos o mais rápido possível”, ressalta.
Sintomas, diagnóstico e prevenção
Febre, calafrios, dor de cabeça, dores no corpo, fraqueza, náuseas e vômitos estão entre os principais sintomas da malária. Como a doença nem sempre apresenta todos esses sinais ao mesmo tempo, a orientação é procurar uma unidade de saúde diante de sintomas suspeitos, especialmente após frequentar áreas rurais, balneários, sítios ou regiões de mata.
Nas unidades que oferecem o serviço, a população pode solicitar o exame diretamente na recepção, sem necessidade de consulta médica prévia. Em caso de resultado positivo, o paciente é encaminhado para avaliação e início do tratamento, disponibilizado gratuitamente pelo Sistema Único de Saúde (SUS).
A Semsa recomenda o uso de repelentes, roupas de mangas compridas e calças durante a permanência em áreas de transmissão, além de medidas para evitar a exposição aos mosquitos nos horários de maior atividade.
A secretaria também incluiu o exame de malária na rotina do pré-natal, mesmo para gestantes sem sintomas, com o objetivo de identificar infecções assintomáticas e reduzir o risco de complicações durante a gravidez.
“A pessoa que esteve em uma área de transmissão, mesmo que tenha sido há algumas semanas, e começa a apresentar febre, precisa fazer o exame. Muitas vezes ela não associa os sintomas ao local que visitou. Quanto mais cedo identificarmos a doença, maiores são as possibilidades de evitar complicações e interromper a transmissão”, orienta Viviana.
A lista das unidades municipais que oferecem diagnóstico e tratamento da malária, com endereços e horários de funcionamento, está disponível no site da Semsa: https://www.manaus.am.gov.br/semsa/unidades/malaria/.
*Com informações da assessoria
