*Da Redação Dia a Dia Notícia
A apresentadora Ana Maria Braga, de 77 anos, revelou que fez um aborto na juventude, contou que já cogitou se relacionar com mulheres e falou abertamente sobre sexualidade na terceira idade. As declarações foram dadas em entrevista à revista Veja, publicada nesta sexta-feira, 16.
Ao abordar a experiência com o aborto, Ana Maria afirmou que enfrentou um momento difícil e que, naquela época, acreditava não ter outra alternativa. Ela também declarou não sentir culpa pela decisão.
“Nunca falei disso, mas, sim, fiz um aborto e foi péssimo. Não recomendo. Embora não fosse muito nova, naquele momento da vida ainda nem conseguia me sustentar direito e achava que não tinha outro caminho. Não guardo culpa”, disse.
Questionada sobre a legalização do aborto, a apresentadora se posicionou a favor e defendeu que a decisão cabe à mulher. “Sou defensora da liberdade individual. É a mulher, com a consciência dela, que deve decidir o que fazer com o ser que está gerando”, afirmou.
Durante a entrevista, Ana Maria também comentou os tabus em torno da vida sexual de pessoas mais velhas. Ela contou que mantém uma relação com um parceiro que a deseja e destacou que os cuidados com a saúde fazem parte de sua rotina.
“No meu caso, tenho uma pessoa que me deseja, que gosta de mim, que me toca. E eu me cuido para que ele continue não só me admirando, mas me olhando”, declarou.
A apresentadora também revelou que faz reposição hormonal desde antes dos 40 anos, após passar por uma cirurgia para retirar o útero e os ovários depois do segundo filho. Segundo ela, o tratamento contribui para manter a libido.
Ana Maria diz que já cogitou se relacionar com mulheres
Ao ser questionada sobre a possibilidade de se relacionar com mulheres, a apresentadora surpreendeu ao contar que chegou a considerar essa experiência em uma fase de desilusão amorosa.
“Confesso que até fiquei tentada. Uma época, estive tão desacreditada dos homens que parei para pensar: havia tantas mulheres casando entre si que devia ser legal”, relatou.
Ela explicou, porém, que não chegou a se envolver com nenhuma mulher e afirmou não ter encontrado alguém por quem sentisse interesse. Na mesma conversa, falou sobre feminismo e disse que prefere contribuir para mudanças sociais por meio do trabalho, em vez de participar de manifestações públicas.
Apresentadora relembra diagnósticos de câncer
Ana Maria Braga também falou sobre os diagnósticos de câncer que recebeu ao longo da vida. Em 1991, descobriu um câncer de pele, tratado com cirurgia. Entre 2001 e 2020, enfrentou outros diagnósticos, incluindo carcinoma epidermoide anal e câncer no pulmão, tratados com quimioterapia e radioterapia, conforme relatado na entrevista.
A apresentadora explicou por que não pretende transformar sua experiência com a doença em um livro. Segundo ela, está disponível para conversar com pessoas que enfrentam o câncer, mas não considera necessário transformar sua trajetória em um exemplo público.
“Às vezes, percebo que consigo transmitir o que aquela pessoa não tem no horizonte: esperança. Mas o que passei não faz de mim arauto do câncer”, afirmou.
Aos 77 anos, Ana Maria disse que não vive pensando na morte e brincou que pretende chegar aos 110 anos. Ela também afirmou que não tem medo de envelhecer e que as experiências dos relacionamentos anteriores contribuíram para a relação atual, com um companheiro 21 anos mais jovem.
Ana Maria descarta aposentadoria da televisão
Apesar dos comentários sobre uma possível saída da televisão, a apresentadora afirmou que não pretende deixar o comando do Mais Você. Ela contou que já recebe aposentadoria do governo, mas ressaltou que deseja continuar trabalhando.
“Mas parar mesmo, não quero, não. O que seria da minha vida se deixasse de fazer o que eu faço? Vou para onde?”, questionou. Ana Maria também brincou que não consegue ficar muito tempo sem atividades e resumiu sua relação com a profissão: “Vivo de aplausos”.
Durante a conversa, ela ainda relembrou Tom Veiga, intérprete do papagaio Louro José, que morreu em 2020. A apresentadora descreveu o amigo como irmão, filho, parceiro e amigo, e disse que a perda continua sendo dolorosa.
“Foi uma das maiores perdas da minha vida. Até hoje não consigo falar dele”, desabafou.
