Manaus, sexta-feira 7 de agosto de 2026
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Brasil registra mais de 34 mil acidentes de trabalho com entregadores em três anos

*Da Redação Dia a Dia Notícia 

O Brasil registrou 34.211 acidentes de trabalho envolvendo entregadores motociclistas e ciclistas entre 2023 e 2026, segundo dados do Ministério da Saúde (MS) encaminhados ao Ministério Público do Trabalho (MPT). O levantamento considera notificações registradas no Sistema de Informação de Agravos de Notificação (Sinan) e mostra crescimento das ocorrências nos últimos anos.

Do total registrado no período, 34.004 acidentes envolveram motofretistas, enquanto 207 foram relacionados a entregadores ciclistas. Os dados foram levantados pelo Departamento de Vigilância em Saúde Ambiental e Saúde do Trabalhador a pedido do MPT.

O levantamento utilizou a Classificação Brasileira de Ocupações (CBO) para identificar registros relacionados a motofretistas e ciclistas mensageiros, conhecidos como bikeboys.

Com o aumento das notificações, a ocupação dos motociclistas avançou para a 10ª posição entre as profissões com mais notificações de acidentes de trabalho no Sinan.

Acidentes cresceram nos últimos anos

O maior número da série foi registrado em 2025. Naquele ano, foram contabilizados 11.662 acidentes, sendo 11.579 envolvendo motociclistas e 83 ciclistas.

Em comparação, 2023 contabilizou 8.630 ocorrências. Isso representa um crescimento de aproximadamente 35% no total de notificações em dois anos.

Veja os números:

  • 2023: 8.582 motociclistas e 48 ciclistas — 8.630 acidentes
  • 2024: 9.987 motociclistas e 47 ciclistas — 10.034 acidentes
  • 2025: 11.579 motociclistas e 83 ciclistas — 11.662 acidentes
  • 2026: 3.856 motociclistas e 29 ciclistas — 3.885 acidentes

Os dados de 2026 são parciais e, assim como os registros dos anos mais recentes, ainda passam por processos de qualificação e consolidação.

Número real pode ser maior

Apesar dos mais de 34 mil registros, o Ministério da Saúde alerta que a quantidade real de acidentes envolvendo esses profissionais pode ser superior à apresentada pelas estatísticas oficiais.

Um dos fatores é a subnotificação, especialmente diante da quantidade de entregadores que trabalham de maneira informal ou sem vínculo empregatício direto.

Nessas situações, acidentes podem não resultar na emissão da Comunicação de Acidente de Trabalho (CAT) ou mesmo deixar de ser registrados adequadamente nos serviços de saúde.

O cenário ganha relevância diante da expansão dos serviços de entrega por aplicativos e do transporte expresso de mercadorias no país, atividades em que motocicletas e bicicletas se tornaram ferramentas de trabalho para milhares de brasileiros.

Dados devem orientar ações do MPT

Para o Ministério Público do Trabalho, as informações poderão ser utilizadas para direcionar fiscalizações, subsidiar procedimentos investigativos e auxiliar na formulação de políticas de prevenção de acidentes.

Os dados também devem servir de base para ações relacionadas às condições de trabalho oferecidas por plataformas digitais e empresas que atuam no transporte e na entrega de mercadorias.

A intenção é ampliar medidas de prevenção e reduzir os riscos enfrentados por motociclistas e ciclistas que trabalham diariamente no trânsito brasileiro.

Nota

Os artigos assinados e publicados nesta coluna são de inteira responsabilidade de seus autores e não refletem, necessariamente, a opinião editorial do Portal Dia a Dia Notícia. O conteúdo opinativo, técnico ou científico apresentado é de responsabilidade exclusiva do colunista.

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