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O simples é também o mais difícil. Você já parou para pensar nisso?

Como acadêmica e apaixonada por nutrição, ouço cada vez mais perguntas como:
“Qual suplemento eu tomo para desinchar?”
“O que melhora meu intestino?”
“Como diminuo a vontade de comer doce?”
“Meu sono está péssimo. Qual melatonina você indica?”
E confesso: muitas vezes eu não respondo de imediato.
Não porque eu não saiba a resposta, mas porque sei que, na maioria das vezes, a resposta que as
pessoas querem ouvir não é a que realmente precisam.
Sim, existem suplementos, terapias hormonais, exames genéticos e inúmeras ferramentas capazes
de transformar uma estratégia nutricional. Quando bem indicados, eles podem fazer toda a
diferença.
Mas existe uma verdade pouco falada: o simples continua sendo a base de tudo.
E ele se resume, essencialmente, a três pilares:
alimentação, sono e atividade física.
A boa notícia é que eles custam pouco.
A má notícia é que ninguém pode fazer isso por você.
Não existe suplemento que substitua uma alimentação consistente.
Não existe melatonina que compense noites mal dormidas por escolha.
Não existe terapia hormonal capaz de vencer um estilo de vida negligenciado.
Esses três pilares são inegociáveis.
E, quando eles estão sólidos, aí sim entram as estratégias mais avançadas: suplementação
personalizada, reposição hormonal, exames de precisão e todos os recursos que a ciência nos
oferece.
Eles deixam de ser a base e passam a ser a cereja do bolo.
Não podemos colocar a cereja antes de assar o bolo.
Pense em uma muda de uma árvore nobre plantada em um solo seco, pobre e sem preparo. Ela pode
até sobreviver por um tempo, mas dificilmente crescerá forte, dará frutos ou alcançará todo o seu
potencial.
Com o nosso corpo acontece exatamente o mesmo.
Sem cuidar do simples primeiro, o complexo perde força. Os resultados aparecem por um tempo,
mas dificilmente se sustentam.
Na verdade, a saúde extraordinária não nasce daquilo que é mais sofisticado.
Ela nasce da repetição diária do básico.
Justamente por isso que o simples continua sendo o mais difícil.

Referências

1. World Health Organization (WHO). Healthy diet. Geneva: World Health Organization;
2020.
2. American College of Lifestyle Medicine (ACLM). Lifestyle Medicine Core Competencies
Program. Chesterfield, MO: American College of Lifestyle Medicine; 2022.
3. Life’s Essential 8: Updating and Enhancing the American Heart Association’s Construct of
Cardiovascular Health. Circulation. 2022;146(5):e18-e43.

 

Por Ana Tereza Braga

Sou acadêmica de Nutrição da Faculdade Santa Teresa e apaixonada por comida de verdade — aquela que nutre, equilibra e transforma de dentro para fora. Meus conteúdos têm como base a ciência, com foco em saúde metabólica, equilíbrio hormonal e nutrição sem achismos. De forma clara e prática, mostro como ajustar a alimentação e o estilo de vida estrategicamente, respeitando as mudanças naturais do corpo ao longo dos anos. Tenho um olhar atento para prevenção, composição corporal e longevidade, e meu objetivo é traduzir temas complexos em orientações simples e aplicáveis no dia a dia.

Nota

Os artigos assinados e publicados nesta coluna são de inteira responsabilidade de seus autores e não refletem, necessariamente, a opinião editorial do Portal Dia a Dia Notícia. O conteúdo opinativo, técnico ou científico apresentado é de responsabilidade exclusiva do colunista.

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