O texto foi aprovado durante sessão especial na Assembleia Geral, por ampla maioria, com 123 países votando a favor. Três delegações se posicionaram contra, enquanto 52 países optaram pela abstenção, entre eles Reino Unido, Portugal e Espanha.
Durante o debate, o embaixador dos EUA, Dan Negrea, afirmou que o país rejeita o que classificou como “uso político de injustiças históricas”, defendendo que reparações não devem ser direcionadas a populações atuais sem ligação direta com os fatos históricos.
Objeções e detalhes da resolução
Já o presidente de Gana, John Dramani Mahama, criticou a posição dos países que se opuseram ao texto e afirmou que há uma tentativa de minimizar ou apagar o impacto histórico da escravidão africana. Gana foi o principal articulador da resolução, defendendo que as consequências desse período ainda são perceptíveis nas desigualdades raciais contemporâneas.
O secretário-geral da ONU, António Guterres, destacou que a comunidade internacional precisa adotar medidas mais firmes para enfrentar heranças históricas de injustiça, enquanto especialistas apontam o avanço político da pauta dentro da organização.
A resolução é de caráter não vinculante, e incentiva que os países abram canais de diálogo sobre medidas reparatórias, incluindo pedidos formais de desculpas, devolução de patrimônios culturais, compensações financeiras e políticas de prevenção contra a repetição de violações históricas.
Apesar do avanço diplomático, o tema segue cercado de divergências, pois parte dos países ocidentais afirma que a discussão pode gerar difíceis disputas políticas e jurídicas, enquanto governos africanos e caribenhos defendem que o reconhecimento formal da ONU é um passo necessário para a construção de mecanismos de justiça histórica no mundo.