*Da Redação Dia a Dia Notícia
O novo episódio marcado por alerta e reflexão no mês das mulheres. Assim foi o podcast As Jornalistas, realizado na noite de sexta-feira, 20, apresentado pelas jornalistas Arthemisa Gadelha, do Blog da Gadelha; Audrey Bezerra, do Portal Dia a Dia Notícia; Érica Lima, do Portal O Convergente; e Karla Costa, do Planeta 92 News e como convidada especial Liliane Araújo, jornalista e advogada. A rodada de conversa reuniu análises contundentes sobre o aumento dos casos de feminicídio no Brasil, os desafios na aplicação das leis de proteção e os embates contemporâneos envolvendo o feminismo e a política.
As comunicadoras trouxeram casos recentes e chocantes de violência contra a mulher registrados em diferentes regiões do país, destacando que os episódios não são isolados, mas parte de um cenário crescente e preocupante.
Dados apresentados reforçam essa realidade: em 2025, o Brasil registrou 1.470 feminicídios, o maior número da série histórica, o que representa, em média, quatro mulheres mortas por dia.
A jornalista Érica Lima ressaltou que o conceito de feminicídio ainda não é plenamente compreendido pela população, em parte por se tratar de uma legislação recente. Segundo ela, a violência contra a mulher é multifatorial e envolve desde raízes históricas do patriarcado até transformações sociais e o impacto das redes sociais.

Já Arthemisa Gadelha trouxe um recorte histórico ao lembrar que direitos hoje considerados básicos, como o voto feminino, são conquistas relativamente recentes. Para ela, o preconceito ainda está diretamente ligado à desinformação e à falta de interesse em compreender a realidade dos fatos.

A jornalista Karla Costa chamou atenção para o risco de o debate público perder o foco das demandas mais urgentes das mulheres quando é atravessado por disputas ideológicas, enquanto Audrey Bezerra apresentou dados que apontam o crescimento do engajamento feminino em pautas conservadoras, especialmente entre mulheres evangélicas, com maior adesão a temas como defesa da família tradicional e críticas ao feminismo contemporâneo.

“O crescimento de mulheres em pautas conservadoras é um avanço sim, mas também não pode ser analisado sem crítica. Existe uma diferença entre escolher um estilo de vida e defender estruturas que historicamente limitaram outras mulheres. O desafio hoje é entender se estamos falando de liberdade real, ou de liberdade dentro de limites já definidos. O que vimos hoje é que o maior embate não é entre homens e mulheres, é entre mulheres com visões opostas de liberdade”.
A CEO do portal Dia a Dia Notícia pontuou ainda que mulheres possuem o direito de escolher modelos de vida mais tradicionais, porém, o ponto sensível surge quando essa escolha passa a influenciar normas sociais, políticas públicas e expectativas coletivas. “O ponto sensível não está na escolha individual, mas no efeito coletivo dessas escolhas. Quando papéis tradicionais são defendidos como ideais, existe o risco de reduzir o espaço de outras formas de ser mulher.
O episódio também abordou o avanço de movimentos antifeministas e a disseminação de discursos misóginos nas redes sociais, destacando como esse ambiente contribui para a normalização da violência, que vai além da agressão física, alcançando dimensões psicológicas, morais, sexuais e patrimoniais.

Outro ponto de destaque foi o debate sobre representatividade política, incluindo repercussões recentes envolvendo a presidência da Comissão de Defesa dos Direitos da Mulher na Câmara dos Deputados, o que levantou questionamentos sobre quem representa, de fato, os interesses das mulheres no país.

A advogada e jornalista Liliane Araújo a convidada especial trouxe um recorte regional ao informar que o Amazonas ocupou o 3º lugar no ranking nacional de feminicídios em 2024. Apesar de uma redução de 31% nos casos em 2025, ela alertou que isso não significa, necessariamente, uma diminuição real da violência, podendo estar relacionado à subnotificação.
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