Durante muito tempo, as conversas sobre marketing giraram sempre em torno das mesmas coisas: algoritmos, formatos, ferramentas e novas plataformas. A cada semana surge uma novidade. Um novo recurso de inteligência artificial, uma mudança no algoritmo de alguma rede social ou uma ferramenta que promete revolucionar a forma como as marcas anunciam. Mas, de vez em quando, o mercado lembra de algo muito mais simples — e muito mais poderoso: pessoas.
No fim das contas, marketing ainda é sobre gente confiando em gente.
Um estudo recente do LinkedIn mostra uma mudança clara na forma como decisões de compra estão sendo tomadas no mercado B2B. De acordo com dados da própria plataforma, 82% dos compradores afirmam que conteúdos produzidos por creators B2B influenciam suas decisões de compra. Além disso, 87% dizem preferir conteúdos vindos de especialistas do setor em vez de mensagens institucionais das marcas. Isso revela algo importante: empresas continuam relevantes, mas a confiança está migrando para as pessoas por trás delas. Executivos, especialistas, líderes e até colaboradores comuns estão se tornando vozes cada vez mais importantes na comunicação das empresas. E existe uma explicação simples para isso: pessoas parecem mais reais do que marcas.
Outro dado interessante divulgado pelo LinkedIn ajuda a entender melhor esse movimento. Segundo a plataforma, as redes combinadas de colaboradores podem ser, em média, 12 vezes maiores do que os canais oficiais de uma empresa. Isso significa que, quando profissionais compartilham conteúdo, opinam sobre o mercado ou mostram bastidores do que fazem, o alcance potencial pode ser muito maior do que o de uma página corporativa tradicional. Não se trata apenas de alcance. Trata-se de credibilidade. Quando uma pessoa fala sobre o que vive no dia a dia, a mensagem soa muito mais autêntica.
Enquanto essa transformação acontece no lado humano do marketing, a tecnologia também está mudando rapidamente a forma como conteúdos são encontrados na internet. Com a popularização das inteligências artificiais e dos modelos de linguagem, como os chatbots e assistentes virtuais, muitas buscas já não seguem mais o caminho tradicional. Antes, a lógica era simples, buscar, clicar e visitar um site. Agora, cada vez mais as pessoas fazem uma pergunta e recebem uma resposta pronta gerada por inteligência artificial. Nesse novo cenário, o objetivo deixa de ser apenas gerar cliques. O foco passa a ser ser citado como fonte confiável. O próprio LinkedIn resume essa mudança com uma nova lógica de visibilidade: ser visto, ser citado, ser considerado e, finalmente, ser escolhido. Para que isso aconteça, conteúdos precisam ser claros, bem estruturados e, principalmente, ter autoria reconhecida e credibilidade.
A conversa não para por aqui, enquanto as estratégias de conteúdo evoluem, as próprias plataformas também estão se transformando. Nos últimos meses, várias novidades começaram a aparecer no radar do marketing digital. A Meta confirmou que está testando versões por assinatura para Instagram, Facebook e WhatsApp, que podem incluir recursos premium, mais ferramentas de inteligência artificial e até opções com menos anúncios. O YouTube também ganhou destaque nas respostas geradas por inteligências artificiais. Estudos indicam que cerca de 16% das respostas de modelos de linguagem já utilizam vídeos da plataforma como fonte de informação.
Isso reacendeu um debate interessante no mercado: talvez seja hora de olhar novamente para conteúdos em vídeo mais longos, especialmente quando o objetivo é gerar autoridade e aparecer nas respostas de IA. Até o Google entrou nessa conversa. A empresa lançou um podcast com o time de Google Ads para explicar decisões de produto, mudanças na publicidade e o impacto da inteligência artificial nas estratégias de mídia.
Apesar de toda essa evolução tecnológica, uma coisa continua clara: ferramentas mudam, algoritmos mudam, plataformas mudam. Mas a confiança continua sendo construída da mesma forma. Pessoas confiam em quem demonstra conhecimento, consistência e presença no mercado. Por isso, marcas que desejam crescer precisam pensar além da comunicação institucional e investir também em vozes humanas: especialistas, líderes, colaboradores e creators que conseguem traduzir conhecimento em conversa real. No fim das contas, o marketing está voltando a algo muito simples. Mais do que anunciar, é preciso saber conversar. E, nesse jogo, quem constrói autoridade de verdade sempre sai na frente. Te espero na nossa próxima postagem.
Por Ana Luísa Alverca da Cruz
Mestranda em Comunicação, Legislativo e Opinião Pública, Ana Luísa é uma profissional apaixonada por Marketing Digital, Comunicação Política e Gestão de Tráfego. Administradora pela Universidade Católica de Brasília, possui pós-graduação em Comunicação e Marketing em Mídias Digitais e em Marketing Político e Eleitoral, além de formação técnica em Web Design e Design Gráfico.
Com 20 anos de experiência em assessoria de comunicação na Câmara Federal, desenvolveu expertise em estratégias de comunicação pública e política. Atua também como consultora em agências especializadas como Up Comunicação Inteligente, Sisters Live Marketing e SMART Business, onde trabalha com gestão de redes sociais, campanhas de tráfego, criação de conteúdo estratégico e campanhas integradas de marketing e publicidade.
Certificada em plataformas Meta e Google Ads, completou formações pelo Sebrae, Digital Marketing Institute e RD Station, com expertise em Instagram, TikTok, WhatsApp Marketing, CRM e Marketing para Eventos.
Na coluna Marketing do Dia, Ana Luísa compartilha insights sobre tendências e inovações do universo digital, desvendando estratégias de Marketing Digital, comportamento de algoritmos, impactos da Inteligência Artificial e transformações que moldam o mercado.

