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Amazonas está entre os três estados que mais desmataram a Amazônia nos últimos seis meses

Foto: Divulgacão/ Ipaam

*Da Redação Dia a Dia Notícia

Apesar da queda de 38% no desmatamento da Amazônia em janeiro de 2026, o Amazonas aparece entre os três estados que mais perderam floresta nos últimos seis meses. Ao lado do Pará e do Acre, o estado lidera o ranking em área absoluta desmatada, o que reforça o alerta sobre a pressão ambiental na região.

Entre agosto de 2025 e janeiro de 2026, o desmatamento na Amazônia Legal somou 1.195 km², redução de 41% em relação ao período anterior. Ainda assim, o Amazonas se manteve entre os principais polos de pressão, com municípios tradicionalmente associados ao avanço da fronteira agropecuária e da grilagem figurando entre os mais críticos.

“Com 32% de redução no desmatamento, o Acre ocupou um lugar que costumava ser de Mato Grosso no top 3 dos estados que mais derrubaram a Amazônia. Isso ocorreu porque a queda na devastação foi ainda maior em Mato Grosso, de 51%”, explica Manoela Athaide. O movimento abriu espaço para que o Amazonas consolidasse presença entre os estados com maior área derrubada no semestre.

No recorte estadual, os municípios de Canutama (21 km²), Lábrea (15 km²) e Apuí (15 km²) lideraram o desmatamento no estado no período analisado. Juntos, eles concentram parte expressiva da pressão recente, mantendo o estado no centro do debate sobre controle territorial e fiscalização ambiental.

Canutama aparece como o município amazonense com maior área desmatada no semestre, seguido por Lábrea e Apuí. As três localidades já figuram historicamente entre as mais monitoradas, mas os números recentes indicam persistência da atividade mesmo em um cenário de retração geral na Amazônia.

Embora o desmatamento total tenha caído, os dados mostram que 82% da devastação ocorreu em áreas privadas ou sob diferentes estágios de posse. Esse padrão também influencia a dinâmica no Amazonas, onde a regularização fundiária e o uso do Cadastro Ambiental Rural são apontados como elementos centrais para rastrear responsabilidades.

A queda do desmatamento indica avanço rumo à meta nacional de desmatamento zero até 2030. Como a perda de floresta amazônica é a principal fonte de emissões de gases de efeito estufa no Brasil, sua redução é fundamental para mitigar o aquecimento global e os impactos das mudanças climáticas, afirma Carlos Souza Jr., coordenador do Programa de Monitoramento da Amazônia do Imazon.

Nos assentamentos do Amazonas, o PA Rio Juma registrou 5 km² de desmatamento, enquanto o PAE Antimary teve 4 km² no semestre. Já entre as Terras Indígenas, a Andirá-Marau aparece como a segunda mais devastada da Amazônia no período, com 3 km² de floresta derrubada.

Além do desmatamento, a degradação florestal também integra o cenário analisado. Em janeiro de 2026, a área degradada na Amazônia foi de 28 km², queda de 92% em relação ao mesmo mês do ano anterior, quando o índice havia alcançado 355 km².

No acumulado desde agosto de 2025, a degradação somou 2.262 km², retração de 93% frente ao período anterior. Embora o Amazonas não lidere esse indicador, o estado está inserido em um contexto regional em que Mato Grosso concentrou 1.244 km² de áreas degradadas, seguido pelo Pará e pelo Acre.

“Isso ocorreu porque tivemos um recorde histórico de degradação no final de 2024, devido ao aumento dos incêndios florestais, que são muito favorecidos pela seca”, relembra Manoela Athaide. Ela observa que variações sazonais e eventos extremos influenciam diretamente os picos detectados pelos sistemas de monitoramento.

No panorama mais amplo, Pará, Amazonas e Acre responderam juntos por 64% da área desmatada nos últimos seis meses. Embora a tendência geral seja de queda, os dados mostram que o Amazonas permanece entre os principais territórios sob pressão, com municípios e áreas específicas concentrando os maiores volumes de derrubada no período analisado.

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