*Da Redação Dia a Dia Notícia
Um laudo técnico do Ibama aponta que os 18 mil litros de fluido vazados durante a perfuração do poço Morpho, no bloco FZA-M-59, na Foz do Amazonas, continham substâncias tóxicas com potencial de causar impactos à fauna e ao meio ambiente. O documento, obtido pela jornalista Nadia Fontes, da DW, e repercutido pelo Pará Terra Boa, indica que a viscosidade do produto químico pode comprometer funções vitais dos animais como respiração e alimentação, além de atingir organismos essenciais para o equilíbrio da cadeia alimentar na área afetada.
Fontes do Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renovavéis (Ibama), ouvidas pelo Estadão, afirmam que o laudo é um alerta sobre a complexidade das atividades petrolíferas na Foz do Amazonas. E a despeito da insistência da Petrobras em afirmar que o fluido vazado não é tóxico, o documento constata: “Mesmo em pequenos volumes, os resíduos de substâncias químicas persistentes no meio ambiente são suficientes para causar efeitos tóxicos nos organismos marinhos, comprometendo o ecossistema afetado”.
Na última sexta-feira, 13, o Ministério Público Federal (MPF) enviou duas recomendações ao Ibama e à Petrobras sobre a exploração de combustíveis fósseis na Foz do Amazonas. O órgão pede a suspensão das fases do licenciamento ambiental da exploração de petróleo na região pela Petrobras, além da revisão das comunicações feitas pela empresa sobre o projeto e da análise conjunta de todos os poços previstos para o bloco, detalha a Folha.
O MPF pede que o Ibama não autorize a perfuração de três outros poços no Bloco 59 – Marolo, Manga e Maracujá – sem que a Petrobras apresente estudos técnicos necessários, informa o g1. Outro pedido é que sejam analisados os efeitos cumulativos e sinérgicos dos quatro poços previstos na região, e não separadamente como está sendo feito para o poço Morpho.
o MPF pede que a comunicação e os boletins informativos sejam atualizados de forma clara, explicando a perfuração de quatro poços, em vez de um. A Petrobras quer perfurar Marolo, Manga e Maracujá entre 2027 e 2029 e tentou incluir esses poços na licença de Morpho, o que foi negado pelo Ibama.
O MPF aponta que pareceres técnicos do Ibama confirmam que a Petrobras não apresentou o diagnóstico do meio ambiente, conforme exigido. Logo, sem estes dados, as reuniões técnicas informativas (RTIs) com a população se tornam inválidas, pois a população é consultada sobre um projeto que não mensura os impactos reais.
