Manaus, sábado 3 de outubro de 2026
Pesquisar

booked.net

Brasil precisa restaurar 50 milhões de hectares de floresta para salvar Amazônia, diz cientista

*Da Redação Dia a Dia Notícia

O cientista climático Carlos Nobre, co-presidente do Painel Científico para Amazônia, afirmou ser necessário que o Brasil, para salvar a Floresta Amazônica, garanta a restauração mínima de 50 milhões de hectares, 38 milhões a mais do que o país se comprometeu no Acordo de Paris para todos os biomas em 2015. O pesquisador foi um dos participantes do painel “Financiando soluções baseadas na natureza e escalando a restauração florestal no Brasil”, realizado nesse sábado (12/17), no Brazil Climate Action Hub, na COP-27.

Nobre defendeu forte mobilização no governo Lula (PT) para reunir recursos de doadores internacionais e iniciar imediatamente a restauração de territórios indígenas, unidades de conservação desmatadas e 600 mil quilômetros de terras devolutas, uma vez que não há verbas previstas no Orçamento da União.

“O mundo está preocupado em salvar a Amazônia. Acho que é viável conseguir US$ 1 bilhão de filantropias para que a partir de 1° de janeiro já seja possível começar a restaurar”, disse.

Segundo o cientista, a restauração dos 50 milhões de hectares é essencial para evitar a autodegradação da floresta e o “ponto de não retorno”.

O painel contou com a presidente do Instituto Igarapé, Ilona Szabó de Carvalho; a diretora de Relações Institucionais da Re.green, Mariana Barbosa, e o diretor de Florestas e Políticas Públicas (BVRio), Beto Mesquita, e foi moderado pela diretora de Políticas Públicas e Relações Governamentais da TNC Brasil, Karen Oliveira. Foram discutidas soluções financeiras, tecnológicas e de governança para ampliar a restauração florestal, zerar o desmatamento e reduzir o risco de grande parte da floresta Amazônica ultrapassar o ponto de não retorno. Os painelistas enfatizaram a importância de dados, informação, transparência e alianças.

Ilona Szabó destacou que as soluções para a restauração florestal passam também por reduzir o “custo Amazônia”.

“Temos falado muito de transição e restauração, mas precisamos falar do papel das finanças na questão climática. Já sabemos que o ‘custo Brasil’ é alto para fazer negócios dentro das regras e das leis, e o ‘custo Amazônia’ é mais alto ainda, pois envolve questões de ilegalidade, criminalidade ambiental, crime organizado, entre outros fatores. Isso tem afastado financiadores e empresas de investir na Amazônia”, afirmou.

Beto Mesquita ressaltou a necessidade de se dar escala à restauração, com tecnologias e participação de múltiplos atores.

“Estamos na década da restauração florestal, e temos uma oportunidade de virar a chave e mudar a escala da restauração no Brasil”, disse o diretor do BVRio. O uso da tecnologia e da ciência de dados foi abordado também por Mariana Barbosa. “Para a seleção de regiões-alvo, o uso de tecnologia e dados pode aumentar em até 8 vezes o custo-efetividade da restauração florestal”

‘MIT’ da Amazônia

Carlos Nobre destacou que a bioeconomia deve ser o grande potencial econômico da Amazônia e defendeu a criação de uma estrutura panamazônica de pesquisa científica, com centros e laboratórios super avançados, “padrão”  MIT (o Instituto de Tecnologia de Massachusetts),  para formação de milhares de jovens em bioeconomia da floresta em pé e Economia Circular, combinando o conhecimento dos povos originários. “Vamos formar os jovens para que sejam os grandes pilares dessas nova bioeconomia”

Nota

Os artigos assinados e publicados nesta coluna são de inteira responsabilidade de seus autores e não refletem, necessariamente, a opinião editorial do Portal Dia a Dia Notícia. O conteúdo opinativo, técnico ou científico apresentado é de responsabilidade exclusiva do colunista.

Entre no nosso Grupo no WhatsApp

Antes de ir, que tal se atualizar com as notícias mais importantes do dia? Acesse o WhatsApp do Portal Dia a Dia Notícia e acompanhe o que está acontecendo no Amazonas e no mundo com apenas um clique

Você pode escolher qualquer um dos grupos, se um grupo tiver cheio, escolha outro grupo.